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Agrotóxicos: deputados pedem dispensa de pauta e irritam autor de projeto

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Gabriela Galvão

Um pedido inédito de dispensa de pauta, que faz com que um projeto tramite de forma mais célere, irritou o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) na sessão vespertina desta quarta-feira (22), na Assembleia Legislativa. Autor da proposta, que busca proibir a aplicação aérea de agrotóxicos em Mato Grosso, o petista afirmou que sequer foi consultado sobre o requerimento.

A ideia partiu de lideranças partidárias e resultou em um pedido de vista do petista ao próprio projeto. Lúdio usou da estratégia para o texto não entrar em votação e haver mais tempo para discutir a proposta em plenário.

“Não imaginei que o tema fosse suscitar esse medo gigante nos gigantes. Que vergonha! Estou pronto para fazer o debate sobre a proibição, mas é vergonhoso o comportamento de certos parlamentares, a covardia, o medo de fazer o debate público. É lamentável. O que queremos é tempo para debater com profundidade, estamos coletando assinaturas em todos os municípios. Isso é falta de respeito”, declarou.

Na tribuna, depois que a dispensa de pauta já havia sido aprovada, Lúdio questionou exaltado quem havia sido o autor. “Quem está articulando isso? Quero saber quem é o autor. Isso não se faz, eu sequer fui consultado. Isso é triste, lamentável, vergonhoso, covardia”, disse, pedindo desculpas logo depois pela forma como reagiu, mas reforçando sua indignação.

Em meio aos questionamentos do petista, Xuxu Dal Molin (PSC) fez uso da tribuna para rechaçar o projeto, que disse não ser condizer com a realidade do Estado. “Nenhum lugar do Mundo usa o termo ‘agrotóxicos’, usamos ‘defensivos agrícolas’ e essa proibição é um absurdo, um contrassenso técnico, não dá para entender. Nós vivemos de produção agrícola, esse projeto não ajuda em nada nosso Estado, não fala a verdade, pode prejudicar milhões de empregos e a economia do Estado. A preocupação é válida, mas não podemos criar uma falsa impressão”.

Xuxu assegurou ainda que é possível conviver “muito bem” e de “forma sustentável” com defensivos agrícolas. “O município de Sorriso é um grande produtor de mel e tem a maior frota aérea para defensivos agrícolas”, argumentou.

Num aparte, Valmir Moretto (PRB) ressaltou a dificuldade de se utilizar maquinário nas lavouras no período chuvoso. “A engenharia estudou tanto para ajudar a produtividade e essa Casa querer tirar essa produtividade. Tudo isso já tem regulamento e a necessidade de que seja cumprido com muito rigor e técnica”.

Em contraponto aos posicionamentos contrários e favoráveis à matéria, Toninho de Souza (PSD) destacou a importância de se debater o assunto. “Independentemente de concordar ou não com o projeto, eu entendo que a discussão pode gerar um fator positivo. Acredito que proibir é algo muito radical, o defensivo é necessário para a agricultura, mas vejo que poderia surgir um projeto referente à quantidade, à fiscalização em campo. Defensivo é um nome mais leve para veneno, mas isso é necessário”.

Em relação aos pedidos, a presidente da Assembleia Legislativa, Janaina Riva (MDB), ponderou que o requerimento de dispensa de pauta protocolado por terceiros realmente foi inusitado, mas tem previsão regimental e, na sequência, concedeu vista de cinco dias a Lúdio Cabral. O prazo é o máximo previsto no regimento interno do Legislativo.

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