A Associação dos Criadores do Mato Grosso (Acrimat) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) se posicionaram contra a decisão do grupo francês Carrefour de vetar a carne do Mercosul. Para as entidades, a determinação é um desrespeito à pecuária brasileira.
“A decisão, justificada por uma suposta preocupação com padrões de qualidade e sustentabilidade, desvirtua a realidade do setor agropecuário nacional, reconhecido mundialmente por sua eficiência, capacidade de atender exigências ambientais rigorosas e por ser referência no uso de tecnologias de baixo impacto ambiental”, destaca a nota da Famato.
A Federação ainda lembra que o Brasil, além de possuir uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, é o país que mais preserva o meio ambiente. Em Mato Grosso, por exemplo, os produtores rurais preservam mais de 67% de suas áreas, mesmo sendo líderes na produção de alimentos. Somado a isso, o Brasil conta com um moderno sistema de Defesa Agropecuária gerenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que assegura a rastreabilidade, sanidade e a qualidade dos produtos exportados, credenciando o país como o maior exportador de carne bovina e de aves do planeta.
O documento assinado pelo presidente Vilmondes Tomain avalia que “ao associar a produção brasileira a critérios inverídicos, o Carrefour não apenas promove desinformação, mas também fere a soberania brasileira e ignora a importância do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos ao mundo. É lamentável que uma companhia com operações no Brasil, onde a pecuária gera milhões de empregos e contribui significativamente para o PIB, adote uma postura que atenda a pressões protecionistas europeias em detrimento do diálogo e do comércio justo.”
A Acrimat repudia a negociação, a qual chamou de, desleal e afirmou que “está disposta a defender a ideia da suspensão do fornecimento de animais para o abate de frigoríficos que vendam para essas empresas.”
“Chega de hipocrisia no mercado, principalmente pela França, um país que sempre foi nosso parceiro comercial, vendendo desde queijos, carros e até aviões para o Brasil e nos trata como moleques.
Nós como consumidores de muitos produtos franceses devemos começar a repensar nossos hábitos de consumo e escolher melhor nossos parceiros”, finaliza o posicionamento assinado pelo presidente Oswaldo Pereira Ribeiro Junior.
Declaração francesa
Alexandre Bompard, CEO do grupo Carrefour divulgou, na rede social X, nessa quarta-feira (20.11), um comunicado no qual afirma que a varejista se compromete a não vender carnes do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, independentemente dos “preços e quantidades de carne” que esses países possam oferecer.
Nessa quinta-feira (21.11), Carrefour França afirmou, em nota divulgada nesta quinta-feira, 21, que o veto à carne do Mercosul se aplica “apenas às lojas na França” e que a medida de deve “somente a uma demanda dosetor agrícola francês, atualmente em um contexto de crise”.
Medida protecionista
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) lamentou a declaração de Bompard.
“Tal posicionamento vai contra os princípios do livre mercado e é contraditório, vindo de uma empresa que opera cerca de 1.200 lojas no Brasil, abastecidas majoritariamente com carnes brasileiras, reconhecidas mundialmente por qualidade e segurança. Ao adotar um discurso protecionista em defesa dos produtores franceses, o Carrefour fragiliza seu próprio negócio e expõe o mercado europeu a riscos de abastecimento, já que a produção local não supre a demanda interna”.
O Mapa também emitiu nota sobre o assunto e afirmou que não aceitará tentativas de manchar ou desmerecer a qualidade e segurança dos produtos brasileiros que são produzidos observando rigorosos critérios sustentáveis.
“Mais uma vez, o Mapa reitera o compromisso da agropecuária brasileira com a qualidade, sanidade e sustentabilidade dos alimentos produzidos no Brasil para contribuir com a segurança alimentar e nutricional de todo o mundo”, pontuou.
(Com Assessorias)




