Advogado de Medeiros e Arcanjo diz que Taques só entende de grampolândia

Ele afirmou que o tucano não tem crédito para falar sobre fraude em ata

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O advogado Zaid Arbid, que defende o senador José Medeiros (PODE), rebateu, nesta quarta-feira (15), declarações do governador Pedro Taques (PSDB). Ele afirmou que o tucano não tem crédito para falar sobre fraude em ata, pois está mais focado em administrar o escândalo dos grampos ilegais que abalou seu governo. O tucano afirmou à imprensa, na terça-feira (14), depois de registrar a candidatura à reeleição, que Medeiros não era o primeiro suplente da sua chapa ao Senado, nas eleições de 2010.

“O governador entende muito de grampolândia. Ele fica procurando essas cortinas de fumaça para desviar o foco. O governador Pedro Taques hoje tem uma preocupação maior, que é a grampolândia, com a assessoria dele de primeiro escalão comprometida. Então acho que ele é a pessoa menos recomendada pra ter crédito nas declarações que faz”, afirmou Zaid, em entrevista coletiva em que anunciou a decisão que devolveu a Medeiros ao cargo de senador.

No total, 13 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento nos grampos, das quais quatro comandaram secretarias no governo Taques: Paulo Taques (Casa Civil), o coronel Evandro Lesco (Casa Militar), Rogers Elizandro Jarbas (Segurança Pública) e o coronel Airton Benedito de Siqueira (Justiça e Direitos Humanos).

Zaid tem também como cliente outro conhecido desafeto de Taques, o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. A organização criminosa comandada por Arcanjo foi alvo da Operação Arca de Noé, em que Taques atuou como procurador da República. Além disso, ele passou 15 anos preso, condenado pela morte do jornalista Sávio Brandão, e conseguiu progredir para o regime semiaberto neste ano.

Apesar de criticar o governador, Zaid Arbid poupou o primo dele, o advogado Paulo Taques, coordenador jurídico da campanha ao Senado em 2010. “Paulo Taques merece todo o respeito, apesar de colega. Pedro Taques virou político. Hoje ele tem o sabor da derrota, o sabor amargo da má gestão dele. É a pessoa menos recomendada hoje para ter crédito. As urnas dirão isso, darão resposta a ele. Ele não entende de ata nem de fraude. Ele entende muito de grampolândia”, disparou.

Responsável pela defesa de Medeiros, o advogado negou que tenha havido qualquer fraude na ata para colocá-lo como primeiro suplente de Taques. “Essa ata foi elaborada por uma pessoa de todo o respeito, que é Paulo Taques. Depois disso, vieram os interesses ribeirinho e do agronegócio de substituir José Medeiros por uma outra pessoa, outra composição”, disse, referindo-se a Paulo Fiúza como representante do agro.

Fraude na ata

José Medeiros teve o mandato de senador cassado em 31 de julho, por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), quase oito anos depois das eleições de 2010.  A ata polêmica trata da substituição de Zeca Viana (PDT) no posto de primeiro suplente, nas eleições de 2010. Ele renunciou à vaga para concorrer ao cargo de deputado estadual, para o qual acabou se elegendo.

O TRE concluiu que houve falsificação de páginas e que, na ata original, Fiúza era o primeiro suplente, e não José Medeiros, que foi diplomado na vaga e exerceu o mandato por três anos e meio. O órgão manteve os outros dois integrantes da chapa, Pedro Taques e Paulo Fiúza. Medeiros suspendeu a cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira (14).

No mesmo dia, o governador Pedro Taques saiu em defesa do suplente beneficiado pela ação, Paulo Fiúza. Ele afirmou que fez toda a sua campanha para o Senado, em 2010, citando Fiúza como seu primeiro suplente.

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