Advogado cuiabano é vice-campeão em competição internacional de fisiculturismo

São 12 anos de carreira e, após dois anos parado, Josevan conquistou o segundo lugar em sua categoria

Campeonato brasileiro de 2007

Depois de dois anos de pausa na carreira de 12 anos no esporte, o advogado e fisiculturista Josevan Clemente de Almeida, 37 anos, voltou com tudo, conquistando o segundo lugar em um dos campeonatos mais importantes da IFBB (federação de fisiculturismo), o Qualifer Elite Pro, que aconteceu em Goiânia (GO), no dia 10 deste mês.

O campeonato era uma etapa de classificação para que atletas amadores, como Josevan, se tornassem profissionais. O campeão overall (campeão entre todos os campeões das divisões de peso, ou altura) de cada categoria, na fase disputada durante a manhã do dia 10, ganharia o procard, que dá autorização para que o atleta passe a competir nos campeonatos profissionais, em maioria, fora do Brasil.

E foi por pouco que o advogado não conquistou o card, que é seu grande sonho. Ele perdeu apenas para o atleta goiano Bruno Castelo, que se tornou o overall da noite e conquistou o procard, participando, já no mesmo dia, de seu primeiro campeonato na liga profissional.

Campeonato IFBB Elite Pro Qualifer

Mato Grosso tem apenas dois fisiculturistas profissionais: Michelly Matos, da categoria womens physique, e Luciano Karin, da categoria Senior até 80 quilos. Ela na federação IFBB (International Federation of Bodybuilding & Fitness) e ele na WWF (World Fitness Federation).

O campeonato do último final de semana levou a Goiânia atletas de todo Brasil e de vários países do mundo, o que trouxe uma competição acirrada ao evento. E ter chegado tão perto do procard trouxe ainda mais ânimo para Josevan, que já fez uma meta: até o fim do ano espera conquistar seu procard.

“Esse é o meu objetivo. A decisão dos campeonatos que competirei neste ano será tomada neste sábado (17), em uma reunião dos atletas com o presidente da federação [Kinsinger Anlencastro] e a coordenação da IFBB MT”, contou Josevan.

“Fã do Arnold”

Exemplo para os iniciantes, o advogado começou a treinar no ano 2000, buscando adquirir massa muscular, visto que se achava muito magro.

“Eu era muito fã do Arnold [Schwarzeneger] e do pessoal que na época competia no Olympia [campeonato mais importante do fisiculturismo]. Eu não pensava em ser igual, mas, por ser fã, aquilo era determinante para que eu pusesse uma força maior nos meus treinos”, contou.

Foram seis anos de treino buscando apenas a melhora estética, até que em 2006 Josevan perguntou a um colega se ele tinha alguma chance nos palcos e ouviu “qualquer um tem chance, basta treinar e subir no palco”. Foi o que ele fez.

O resultado não foi bem o esperado. O  atleta, que à época ainda não era advogado, ficou em último lugar na sua então categoria de 70 quilos. Apesar da derrota nos palcos, só de ter conseguido melhorar o corpo Josevan já se sentia vencedor (sentimento comum entre os amantes do esporte).

Porém, ele queria mais e passou a se dedicar 100% ao fisiculturismo. “Comecei a treinar para campeonato, porque o treino é diferente do das pessoas comuns; li muito sobre nutrição, treino, suplementação e no outro ano competi de novo”, lembrou.

A dedicação deu certo e, um ano depois de sua estreia nos palcos, Josevan se tornou campeão mato-grossense na categoria até 70 quilos. Nesse ano foi também para o campeonato brasileiro, junto a Cristovão Pinheiro – um dos maiores nomes do esporte no Estado – e Luciano Karin.

Os três mato-grossenses abriram os olhos dos atletas brasileiros para o Estado, ficando Josevan entre os seis melhores do Brasil, Luciano entre os cinco e Cristovão sendo campeão brasileiro pela primeira vez.

“Até então nunca tinha acontecido de três atletas cuiabanos irem bem assim, no campeonato brasileiro são mais de 30 atletas por categoria, top 6 é um ótimo resultado”, disse Josevan. “Depois disso fomos com mais frequência para São Paulo e, por nosso intermédio, vários outros atletas vieram junto”.

Arnold Classic Brasil 2014

Depois do primeiro campeonato brasileiro, Joseven não parou mais, chegando a ser campeão em um campeonato de nível Brasil e ficando em 3º lugar em um Arnold Classic (competição de nível internacional), já na categoria 80 quilos, visto que a evolução dos seu físico era tão grande, que não era mais possível se manter com apenas 70 quilos.

Em 2015 participou de outro Arnold, em que conquistou o 5º lugar, e parou de competir. Ficou dois anos sem retornar aos treinos e, em março de 2017, começou uma nova preparação.

Em novembro de 2017, participou da Copa Mutum, em Nova Mutum, apenas para saber como seu corpo estava respondendo aos treinos e à dieta, e se surpreendeu sendo campeão de sua categoria, até 80 quilos, e overall.

A preparação

O ótimo resultado trouxe ainda mais empolgação para o advogado, que continuou treinando para o campeonato do último dia 10. Dessa vez com a orientação do atleta e treinador Cristovão Pinheiro, que, segundo Josevan, foi fundamental para que ele alcançasse o físico que apresentou no campeonato.

A rotina, desde março de 2017, era pesada, com treinos de musculação e exercícios cardiovasculares (aeróbicos) de segunda a sábado. Cerca de 50 dias antes da competição almejada, ele intensificou os treinos e passou a fazer dois aeróbicos por dia, sendo um deles em jejum, além da musculação. Tudo para chegar ao físico “seco” e fibrado de um fisiculturista campeão.

Campeonato Brasileiro 2009

Mas nem só de treino vive um fisiculturista: as refeições restritas são tão importantes (ou até mais) do que os treinos.

“Faço seis refeições diárias, depende do dia, da fome, do peso. Baseada em proteínas – peito de frango, clara de ovo e carne magra, que é patinho -, carboidratos – aveia, batata doce, arroz e mandioca – e gordura – azeite extra virgem, castanhas, amendoim, nozes, amêndoa”, relatou o atleta.

Tudo isso sem quebrar a dieta por nenhum dia. Para muitos, um sacrifício, mas para Josevan valeu muito a pena, visto que conquistou sua melhor colocação, até hoje, em campeonatos internacionais.

O apoio da esposa também foi fundamental, ela acompanha toda preparação e, sempre que pode, vai junto à filha do casal prestigiar os eventos.

Advogado x fisiculturista

A advocacia não atrapalha Josevan em nada, pelo contrário, só ajudou. Quando começou a competir, em 2006, o atleta ainda não era advogado, mas sim técnico no Bradesco, cuidando das manutenções de caixas eletrônicos. Isso tornava tudo mais complicado, visto que dentro no horário de trabalho não conseguia parar para comer.

“Não tinha como ficar parando para comer, para fazer refeições sólidas. Eram mais refeições líquidas. Então eu carregava na minha mochila quatro/cinco shakeiras já preparadas, com uma dose de whey, junto com aveia, e a base da minha preparação na época era isso”, lembrou.

Arnold Classic Brasil 2013

À época, as refeições com comida de verdade eram somente no café da manhã, no almoço e no pós treino, próximo ao horário do jantar.

Já como advogado, desde 2012, ele passou a ter tempo para dedicar-se a si mesmo, visto que pode trabalhar de casa, ou do escritório, e fazer seu próprio horário. Para ele, as refeições sólidas fazem muita diferença na musculatura, “que fica mais densa, com um aspecto melhor”, disse.

E quem o vê no dia a dia, de terno e gravata, consegue perceber de longe o seu esporte, afinal, o fisiculturismo tem essa particularidade: é um esporte que o atleta carrega no corpo.

Inclusive juízes, em audiência, perguntam sobre o esporte para Josevan, que conta com orgulho que é fisiculturista. “Eu aproveito para fazer um merchan do nosso esporte, falo que eu pratico, que sou atleta fisiculturista. Ai eles falam: ‘dá pra perceber o tamanho que você é, mesmo com essa roupa ai, não precisa nem estar de regata’, contou aos risos.

Os colegas de profissão também brincam. “Eles dizem que é só chegar, bater na mesa do juiz, que o processo já está ganho, mas são só brincadeiras, o Poder Judiciário é um negócio sério”, disse o atleta.

Campeonato Mato-grossense 2008

O cuiabano, pai de uma menina de 10 anos, vem construindo uma carreira sólida e exemplar, conquistada, segundo ele, em cima da disciplina e do perfeccionismo, que usa no esporte, no trabalho, na criação da filha e em todos os aspectos da vida. Para quem está começando, ele dá um conselho:

“Contratem alguém na área, um coaching, que te passe toda experiência, explique o que você precisa fazer. O que eu demorei desde 2006 para conseguir, vocês podem conseguir em três anos, se tiverem alguém guiando”.

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