Adeus a Dias-Pino: artistas e admiradores se reúnem neste sábado no Cine Teatro

Homenagem reunirá artistas de Mato Grosso e entusiastas da obra do poeta visual, a partir das 16h

Foto Marianna Marimon (Cidadão Cultura)

A cerimônia de cremação do poeta Wlademir Dias-Pino ocorrerá às 16 horas, no Cemitério do Caju, Rio de Janeiro. Amigos e admiradores que vivem em Cuiabá reúnem-se neste sábado simbolicamente, também às 16 horas, para homenagear um vulto brasileiro da literatura, artes visuais e gráficas.

O evento de homenagem vai envolver artistas de vários segmentos, bem como instituições culturais, entre as quais, o Teatro Cena Onze, a Academia de Letras, MT Escola de Teatro e as secretarias de Cultura do Estado e do município com direito à presença dos titulares das pastas, Gilberto Nasser e Francisco Vuolo, respectivamente.

Outros artistas e produtores culturais de bastante representatividade, como Gloria Albues, Lúcia Palma, membros da família do poeta Silva Freire e Aline Figueiredo engrossam o coro.

O diretor da Associação Cultural Cena Onze – que administra o Cine Teatro e a MT Escola de Teatro -, Flávio Ferreira, está bastante entusiasmado. “Haverá uma sequência de homenagens, com declamação de poesias, exposições de artes gráficas e visuais, fotos e depoimentos de amigos que conviveram com ele. Vamos voltar no tempo e rememorar o quão grande é sua contribuição à cultura brasileira”.

Wlademir chegou a Cuiabá em 1936 em razão do exílio forçado de seu pai. Foi então que “escreveu” nestas paragens, capítulos importantes que vieram somar à sua trajetória.

Em 1956, foi para São Paulo e depois, no Rio de Janeiro, participando da exposição nacional de Arte Concreta, estabelecendo a poética construtiva coincidindo com os irmãos Campos, Ferreira Gullar e artistas plásticos.

Além de integrar o concretismo, o poeta visual – como fazia questão de ser chamado – criou o intensivismo e foi um dos fundadores do poema//processo [palavras associadas com sinais gráficos seguindo as regras dele].

A propósito, foi em 1956 também, que sua obra “A ave”, “converteu-se em um dos primeiros livros de artista de nível internacional, pois nela se produza uma interação inédita do leitor no itinerário das páginas. O livro inventando seu próprio sistema de leitura desde sua fisicalidade, como livro-poema”, conforme aponta Adolfo Navas, em matéria publicada na Folha de São Paulo.

Já nos anos 1960 liderou o último movimento de vanguarda no Brasil, o poema//processo talvez aventura mais radical e heterodoxa da visualidade política brasileira, como avalia Navas.

Uma das grandes contribuições a Mato Grosso ocorreu entre os anos de 1983 e 1978, quando fez parte do quadro técnico da Universidade Federal de Mato Grosso e “presenteou” a cidade com produção volumosa no campo das artes gráficas, idealizando inclusive, os logotipos da UFMT e do Teatro da UFMT.

Em 1994 voltou para o Rio de Janeiro. Mais tarde, em 2015 ganhou reconhecimento ao protagonizar mostra antológico na UFMT, mas foi no ano seguinte, com a exposição retrospectiva O Poema Infinito, no Museu de Arte do Rio. O trabalho do cultuado Wlademir Dias-Pino ganhou ainda mais reconhecimento.

De acordo com Adolfo, na publicação da Folha de São Paulo, ultimamente ele trabalhava – com o assistente Otavinho – “no projeto mais ambicioso das últimas décadas sua Enciclopédia Visual composta por mais de 100.000 imagens, uma obra arquivo rara avis, verdadeira linha de horizonte. Como um poeta visionário, deixa um legado revolucionário”.

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