Acreano viaja de bicicleta em busca da felicidade: “o caminho te dá as respostas”

Tássio Fúria tem 29 anos e mais de 6 mil quilômetros rodados em sua bike, que ele chama de "Poli". O acreano de passagem por Cuiabá é adepto de uma filosofia que prega a felicidade sobre duas rodas

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Até o dia 10 de maio, Tássio Fúria pretende estar em Foz do Iguaçu. Partindo de Cuiabá no sábado (21), o acreano aventureiro de 29 anos quer fazer 100 quilômetros diariamente em cima de sua bicicleta para chegar a tempo na cidade paranaense. Viagens como esta são feitas por ele desde 2016, quando largou o trabalho em um call center, a faculdade de história e decidiu encontrar o caminho da felicidade.

Tássio é um apaixonado por bicicletas e é especialmente carinhoso com a sua, que ele chama de “Poli”. A magrela foi a ferramenta da felicidade do acreano. Para ele, viajar sobre duas rodas funciona como uma filosofia específica: de ver o mundo em uma velocidade reduzida e de interagir com os pedestres e com as paisagens.

“É simplesmente pela velocidade que você se desloca”, conta. “O carro, ele te blinda, até mesmo de um contato, de uma gentileza. O caminho te dá as respostas”. Esta é a segunda grande viagem de Tássio. A primeira foi há dois anos, quando ele desistiu da faculdade e do trabalho para chegar até o Rio de Janeiro de bicicleta.

A busca pela felicidade levou Tássio a fugir da rotina (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Juntei minha mochila, a bike e saí com R$ 60 no bolso”, relembra. “A primeira viagem me abriu muitas portas, pessoas que se aproximaram, me ajudaram e que gostam da minha visão de mundo”.

Tássio trabalha na estrada para se manter, mas também aceita eventuais doações e ofertas de hospedagens.

Naquela primeira viagem, começou a colecionar histórias: fez figuração em um filme, morou e trabalhou na favela, passou fome e frio na estrada. “Até eu chegar a Porto Velho, senti vontade de voltar, levei sete dias para chegar lá e cheguei 5 quilos mais magro”, recorda.

Aos poucos, as amizades da estrada foram se solidificando e as pessoas começaram a procurá-lo para entender mais sobre as viagens. “Eu passei de ‘doido’ para ‘referência’”, diz ele.

Em sua primeira passagem por Cuiabá, Tássio diz que já tem onde dormir em Campo Grande, graças às antigas relações estabelecidas.

No começo a família ficou receosa, mas aos poucos os pais do acreano se acostumaram (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)“Eu tenho saudades da família e dos amigos, mas sempre dá vontade de continuar fazendo, porque acontecem histórias bacanas e é bom chamar os amigos e contar o que aconteceu”, diz.

A família, é claro, sofreu no início. Sobretudo porque Tássio saiu sem avisar a mãe e o pai. “Só avisei meu irmão”. Com o tempo, todos se acostumaram.

“Agora eu mantenho contato direto”, esclarece. Em Foz do Iguaçu, o aventureiro participará de um congresso sobre turismo, onde pretende aprender mais sobre o setor.

“Eu aprendi a viver muito bem com pouco. Para mim, é muito mais lucrativo levar esta vida e me sentir sempre saudável do que o cara que está na correria, ganhando dinheiro, mas que não tem tempo de cuidar da própria saúde”, resume.

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Eu q o diga…foram os dias e noites mais ” longos ” de minha vd! Mas, procuro respeitar, pq entendo q, escolhas é de cada um e, se isso é o q o faz feliz agora, q assim seja e de preferência c a nossa benção ( pais )! Boa sorte filho. Deus no controle e Maria na intercessão sempre!

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