O prefeito Abilio Brunini afirmou que a educação pública em Cuiabá se transformou de investimento em gasto de dinheiro. O balanço entre custo e benefício de quase R$ 1 bilhão (orçamento de 2025) não refletiria em aprendizagem dos alunos.
“É investimento quando se tem resultado [positivo]. Quando se tem despesa de R$ 1,3 mil por aluno, mais caro que muitas escolas privadas, e o resultado é péssimo, como tem sido apresentado, é gasto. Seria mais viável colocar as crianças na rede privada, seria até mais barato, [porque] as crianças teriam resultado melhor [na aprendizagem]”, disse.
Abilio postou em suas redes sociais alguns dados que demonstram a situação ruim do ensino público em Cuiabá. Por exemplo, 45% dos alunos não aprendem o conteúdo básico de matemática e 41% não tem aprendizado satisfatório em língua portuguesa.
Quase a metade dos alunos (46%) não são alfabetizados na idade certa, ou seja, eles avançam na graduação sem saber o conteúdo das disciplinas de primeiras séries. A situação se reflete nas posições ruins do ranking nacional de ensino. Cuiabá é 19ª cidade na qualidade de ensino dentre as capitais e a 79ª na comparação dentre todas as cidades de Mato Grosso.
“O tempo desses alunos na sala de aula, que está sendo perdido muitas vezes com brincadeira, não está sendo levada a sério a qualidade de ensino, está trazendo prejuízo [para] lá na frente. Esses alunos não conseguem chegar à faculdade pública, vão cursar faculdade privada e ficar a vida toda endividado”, disse Abilio.
O prefeito reagiu ontem (17) à repercussão negativa de tirar R$ 4 milhões previstos para reforma e manutenção de escolas e transferi-los para o pagamento de 1/3 extra das férias de 45 dias dos professores da rede municipal.
Segundo ele, a transferência é efeito da cobrança para pagar o direito trabalhista, pela primeira vez desde 2020, e a alternativa mais correta seria realocar parte do orçamento da própria Secretaria Municipal de Educação.
O prefeito advertiu que irá buscar parcerias com escolas privadas para melhorar a qualidade de ensino em Cuiabá, caso os índices não melhorem nos próximos levantamentos, e vai considerar a instalação de escolas cívico-militares na rede municipal.