Abertura de novos mercados fica em segundo plano, diz presidente do Imac

Restabelecer o comércio de carnes com a China se tornou prioridade para o Brasil

A confirmação de um caso atípico do “mal da vaca louca” em Mato Grosso e a suspensão nos envios da proteína bovina para a China – determinada pelo Ministério da Agricultura – deixou toda a cadeia da carne apreensiva. Situação delicada que momentaneamente coloca em segundo plano as tratativas para a abertura de novos mercados para os chineses, segundo o presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Guilherme Nolasco.

Em entrevista ao LIVRE, Nolasco afirma que diante do cenário ainda “turvo” a pauta prioritária era a liberação das novas indústrias brasileiras, listada pelo Mapa e enviada para o governo chinês. Mas, a aprovação dessa lista, agora, fica em segundo plano,  pois o foco é “resolver e restabelecer o comércio normal para depois avançar com a habilitação de novas plantas”.

Nolasco explica que o caso não se trata de um problema sanitário – como já confirmado pelo relatório de referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) – “agora é um problema diplomático”.

Adiantou que, possivelmente, os chineses vão querer alguma explicação e podem querer vir aqui fazer alguma visita técnica no Brasil. “Então o que nós aguardamos é a agilidade do ministério da Agricultura e ministério das Relações Exteriores em resolver o problema”.

Sem o risco sanitário, a preocupação fica em torno do tempo de retorno nas negociações, isso porque a longa paralisação dos envios de carnes para a China pode “causar problemas maiores em toda a cadeia brasileira”, afirma Nolasco.

Situação que pode ocorrer caso o mercado consiga “estocar demais”, relata Nolasco. Mas ele ainda defende que “detectada ausência do problema da vaca louca não há motivo para que demore muito para reverter a situação”.

Demanda chinesa

Outro fator que pode contribuir para a solução prévia do caso é o sério problema de abastecimento vivido pelos chineses. Isso porque nos últimos meses mais de 1,5 milhões ou 30% do rebanho de suínos – principal proteína consumida no país – tiveram que ser sacrificados, devido ao surto de Peste Suína Africana (PSA), que tem assolado o país.

“Eles têm um problema sério de abastecimento, então mesmo que alguma pressão seja feita nesse momento para negociar preço ou volume, a médio e longo prazo é inevitável que o Brasil e Mato Grosso sejam um grande fornecedor. Eles precisam aumentar as compras externas e só o Brasil está pronto para atender”, afirma.

Nolasco lembra ainda que a China é uma economia emergente, que a cada dia está mais “ocidental”. “As pessoas estão ganhando mais e comendo mais carne, com uma população de 1,3 bilhão de habitantes. Para nós, esses episódios pontuais de curto e médio prazo podem atrapalhar alguma coisa, mas a médio e a longo prazo é inevitável que seremos os maiores fornecedores de carne para a China”, disse.

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