Abastecida diariamente, geladeira solidária vai alimentar quem tem fome

Voluntários convocam doadores: disponível 24 horas, a geladeira atende qualquer um que tenha fome

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O projeto que é uma bênção, já está abençoado. Foi com uma oração em volta da geladeira que os voluntários do coletivo solidário Tcendo Amor deram início ao projeto Geladeira Solidária.

Posicionada na área de desembarque do principal terminal rodoviário de Cuiabá, ela é abastecida diariamente, e está disponível 24 horas por dia para qualquer um que tenha fome. E nessa dinâmica, vai refrigerando os alimentos e aquecendo o coração de quem a mantém cheia.

A primeira pessoa atendida pelo projeto foi Elizabete Souza, 48 anos. Ela chegou a uma lanchonete para comprar um café, com o dinheiro que uma moça lhe deu no banheiro, quando foi alertada sobre o projeto. Depois, ficou sentadinha em um dos bancos acompanhando a movimentação dos voluntários – e logo foi chamada para mais perto.

Depois de participar da oração, momento marcante para o coletivo, ela voltou para junto de suas malas – melhor, mudança – para apreciar a comidinha com que a presentearam. Para a mulher que acabou de chegar a Cuiabá, com a esperança de começar uma vida nova, foi mesmo um presente.

“Eu estou há quatro dias sem comer uma refeição”, contou. Mesmo tempo que passou viajando de Horizonte (CE), na região metropolitana de Fortaleza, até Cuiabá. Ali, teria que esperar a irmã chegar da Guia, às 14h. Seriam outras longas horas até ver um rosto conhecido novamente.

“As dificuldades já são tantas que eu já até me acostumei a ficar tantos dias sem comer. Na viagem, quando todos paravam para almoçar, jantar, café da manhã, eu ficava ali, pertinho do ônibus. Quando uma ou outra pessoa passava a me notar, ia me dando uma coisinha ou outra para comer”.

Desempregada, e já sem esperança de arrumar um trabalho na cidade natal, Elizabete recebeu um caloroso “seja bem-vinda”, para aquecê-la em uma manhã fria e cinzenta em Cuiabá.

Com o coração apertado, contou que deixou os quatro filhos no Ceará e que espera que um dia, quando se estabelecer, eles também venham. “Eu não tenho medo de trabalho. Já fiz de tudo nessa vida, só não roubar”, afirma.

Mais geladeiras nos planos

Os voluntários preferem não personalizar a entrevista e falam pelo coletivo. Juntos, mensalmente, dedicam-se a realizar trabalhos em várias instituições da cidade, como a Casa da Mãe Joana, Abrigo dos Velhos, Abrigo Bom Jesus, creches e casas de apoio. E ajudam com várias coisas: de itens de limpeza a alimento, a até pequenas reformas de infraestrutura que se fazem necessárias nos lugares atendidos por eles.

“Estamos focados em ampliar o número de geladeiras e, quiçá, estimular outros coletivos, entidades e organizações sociais a implantarem projetos de novas geladeiras. A ajudar pessoas menos favorecidas que passam por momentos difíceis e que estão em situação de vulnerabilidade social”, diz uma das voluntárias.

“Empresas que quiserem nos ajudar a manter a geladeira cheia podem ser parceiras. Temos até espaço reservado na lateral para colocar adesivo com propaganda”.

No caso da Geladeira Solidária que passa a funcionar na Rodoviária Engenheiro Cássio Veiga de Sá, eles contam com apoio da Sinart.

O supervisor da empresa, Romário da Cruz Souza, explica que, além da energia para manter a geladeira funcionando, será feita manutenção da limpeza e a equipe de segurança ficará em alerta para que tudo transcorra dentro da normalidade.

“Para nós é muito importante fazer parte disso, ajudar quem precisa, quem tem fome. Esse é um projeto do bem”, diz.

Como participar

A confeiteira Áurea Zucher ficou sabendo da novidade e já está empenhada em reservar parte da produção para abastecer a geladeira.

“Vou preparar bolo gelado para contribuir com essa iniciativa. Quando recebi uma mensagem que circula pelo WhatsApp anunciando o projeto, fiquei bastante empolgada. Quero muito ajudar. E como as coisas boas que a gente come, guarda na memória, bem possível que quem coma um bolo destes, quem degustá-lo, possa recordar bons momentos, até da infância, não é mesmo?”.

Os voluntários do coletivo Tcendo amor indicam o que pode ser doado: frutas, suco, achocolatado, leite, bolacha (embaladas em pequenas porções, como as do tipo Club Social), sanduíches, comida pronta (marmitex) e iogurte, entre outros alimentos.

É importante, no caso de haver validade, que esteja inscrito a data de fabricação. Os voluntários circulam para garantir que os alimentos estejam apropriados para consumo. “De dois em dois dias faremos minuciosa avaliação”.

Outra orientação é que sejam utilizadas embalagens transparentes no caso de refeições e que ainda, sejam disponibilizados kits com colher ou garfo, se for necessário para que sejam consumidos. E também, é importante separar em porções individuais e ainda, higienizar antes de embalar.

Confira a lista de itens não permitidos:

1. Bebidas alcólicas
2. Alimentos vencidos
3. Carne, frango, peixe ou ovos crus
4. Produtos abertos
5. Embalagem de vidro

A Geladeira Solidária está localizada área de desembarque, em frente ao Guarda Volumes. Mais informações: (65) 99977-4177.

 

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