“A tornozeleira está na minha perna, não na minha cabeça”, diz Eder

Ex-secretário condenado a 104 anos por corrupção apresentou proposta de reestruturar Fethab

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O ex-secretário de Estado Eder Moraes afirmou que a tornozeleira eletrônica não o impede de ter ideias e, por isso, decidiu apresentar uma proposta para reestruturar o Fundo de Transporte e Habitação (Fethab) e transformá-lo em uma empresa de economia mista. Ele foi condenado a um total de 104 anos e 7 meses de prisão, em três sentenças diferentes, pelos crimes de corrupção passiva e ativa, peculato e lavagem de dinheiro, entre outros. Todas as condenações foram na primeira instância.

“A tornozeleira está na minha perna, não na minha cabeça, na minha capacidade, na minha inteligência. Ninguém vai conseguir colocar uma tornozeleira nas minhas ideias”, afirmou Eder à imprensa, na manhã desta terça-feira (17). “Acredito nesse projeto, como acredito na renegociação da dívida que fizemos com o Bank of America”, afirmou.

Eder destacou que ainda está recorrendo das suas condenações, e afirmou que o mesmo questionamento que ele sofre hoje pode ser feito aos atuais governantes no futuro. “Falar em moralidade e ética para apresentar proposta é inadequado. Todos que passam pelo Executivo respondem por improbidade”, disse.

O ex-secretário rebateu os críticos do fato de ele ser autor da proposta. “Podem ser os plantonistas de fazer comentário por fazer, para destruir. Eu digo àqueles que estão preocupados com Eder Moraes: voltem sua preocupação para o Estado, para seus filhos. Eu estou respondendo aquilo que me foi imputado e estou me defendendo. Tenho plena consciência que nunca roubei nem desviei dinheiro do Estado e vou provar isso no processo”, declarou.

Ele disse, ainda, que o governador Pedro Taques (PSDB), ao rechaçar sua proposta sem conhecê-la, apenas “quer abafar a ideia de alguém que hipoteticamente é oposição”. A sugestão de Eder é que o Fethab tenha CNPJ próprio, com participação majoritária do Estado em sociedade com os produtores, para captar entre R$ 10 bilhões e R$ 35 bilhões em empréstimos para investir em infraestrutura.

Em defesa de Eder

O deputado estadual Oscar Bezerra (PV), que abraçou a ideia e decidiu debatê-la, defendeu o ex-secretário. “A legislação não preconiza que condenados tenham a cabeça esterilizada. Se o Eder está interessado em tirar Mato Grosso do atoleiro, temos que debater. Ele não vai gerir o fundo. Ele apenas está sugerindo”, afirmou o parlamentar. “Um cidadão não pode ser cerceado de oferecer uma proposta para ajudar Mato Grosso”, completou.

“O projeto terá credibilidade quando convidarmos Henrique Meirelles e outros economistas de renome nacional para debater a questão”, disse Oscar, ao ser questionado sobre as críticas que a proposta vem recebendo por ter sido idealizada por Eder. O deputado disse que viu na ideia a possibilidade de criar uma pessoa jurídica que pode receber investimentos internacionais pelo poder de pagamento do Fethab. “Vi na proposta uma solução para logística”, disse.

Oscar prometeu apresentar a ideia no colégio de líderes na Assembleia Legislativa e promover audiências públicas para debater o tema. A intenção é, ao fim, apresentar uma sugestão para que o governo elabore um projeto de lei, já que esse tipo de iniciativa tem que partir do Poder Executivo.

Rotina

Eder Moraes afirmou que tem uma “rotina normal, mas com horários limitados”, em função das medidas cautelares que o obrigam a passar as noites e fins de semana em casa. “No horário comercial, faço consultorias. Também tenho ajuda financeira da minha filha, que é médica, solteira e mora conosco”, disse. O ex-secretário afirmou que é sempre tratado com respeito quando sai a locais públicos. “Eventualmente ouço um ou outro comentário.”

Ele negou que tenha recebido dinheiro do ministro Blairo Maggi (PP), conforme delatou o ex-governador Silval Barbosa. “Não tenho nenhum contato com Blairo desde 2014. Essa delação apenas estragou minha amizade com Gustavo de Oliveira”, disse, referindo-se ao dono do jornal Diário de Cuiabá, acusado por Silval de ser intermediário de propina para Eder.

Em dezembro de 2015, Eder foi preso preventivamente por violar 92 vezes a tornozeleira eletrônica, e alegou defeito no equipamento. “Essa prisão foi anulada. É humanamente impossível eu ter deixado a tornozeleira descarregar 92 vezes. Me deram uma tornozeleira com defeito e mostrei isso ao delegado”, afirmou.

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