A deputada Erika Hilton resolveu reescrever a história para transformar Lula em vítima da “taxa das blusinhas” — imposto que o próprio governo ajudou a construir, defendeu publicamente e sancionou em 2024. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar tenta empurrar toda a responsabilidade para “a direita” e para o Centrão, como se o Planalto tivesse sido um mero espectador da medida.
A narrativa ignora um detalhe inconveniente: a cobrança sobre compras internacionais só virou realidade porque passou pelo Congresso com apoio da base governista e recebeu a assinatura do presidente Lula. À época, integrantes do governo defendiam a taxação em nome da arrecadação e da proteção do varejo nacional. Agora, com a impopularidade da medida batendo à porta em ano eleitoral, o discurso mudou convenientemente.
Erika ainda tenta vender Lula como o líder “corajoso” que estaria corrigindo uma injustiça criada pelos outros. O problema é que não dá para apagar a própria digital da cena do crime. Se o governo sanciona, regulamenta e defende uma medida por meses, fica difícil sustentar a tese de que tudo não passou de uma conspiração da oposição.
No fim, o episódio mostra como parte da militância digital prefere adaptar os fatos à narrativa do momento. Quando a medida parecia boa para arrecadar, era responsabilidade fiscal. Quando virou desgaste político, passou a ser culpa “da direita”.
Veja o post
🫶🏽 BOAS NOTÍCIAS! FIM DA TAXA DAS BLUSINHAS!
Acabam de anunciar que o Presidente @LulaOficial ACABOU com a taxa das blusinhas.
Criada por pressão do centrão e da direita, atendendo a pedidos de empresas como Havan e Multilaser, a taxa das blusinhas não cumpriu nenhum objetivo… pic.twitter.com/tyG2UYeEiv
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) May 12, 2026





