A luta contra o meu “eu”

É necessário abandonar o “eu” e voltar a base para não ser contaminado pelo orgulho

Conheço muitas pessoas que tiveram dificuldades na vida, por diversos fatores, sejam problemas familiares, financeiros, relacionamentos precários, dentre outros. Contudo, essas pessoas batalharam, estudaram e se desenvolveram, e hoje, são indivíduos bem-sucedidos.

Creio que você já deva ter presenciado algumas histórias semelhantes, ou talvez você seja uma pessoa que possui a mesma história. A vida do brasileiro de fato não é fácil, pois existem muitas dificuldades, e para onde olhamos, há pessoas falando sobre crises.

Alguns quando chegam ao topo do sucesso esquecem de suas bases, ou melhor, fazem de conta que ela não existe e simplesmente as desconsideram. Essas mesmas pessoas que um dia foram humildes, hoje encontram-se “em cima de um pedestal”, imersas no orgulho, na soberba, na validade e se deliciando com o seu ego.

O grande sábio Salomão afirma em Eclesiastes 1: “Vaidade de vaidades, diz o pregador, Tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece”. O Sábio foi contundente ao atestar que tudo é vaidade. A vaidade é como correr atrás do vento, ou seja, impossível de se alcançar, é perder tempo.

Para aqueles que ainda têm consciência sobre si, pode ser que seja uma luta constante, ou quem sabe até diária, contra o seu “eu”. O apóstolo Paulo dizia que o que ele não queria fazer, fazia; e o que era para fazer, ele não tinha forças para fazer. É uma grande luta dentro de cada ser humano. Se não lutarmos seremos controlados por esse sentimento negativo e outros vícios poderão entrar em nossas vidas, Santo Agostinho nos lembra disso: “O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios”.

Olhe a sua volta, perceba quantas pessoas são vaidosas, orgulhosas e cheias de ego. Observe alguns governantes, agentes públicos, empresários, artistas, músicos, profissionais liberais, dentre outros. Não apenas esses, conhecemos também pessoas orgulhosas de todos os tipos, não importando a classe social, o grau de escolaridade, as experiências vividas, os gêneros, a etnia, se rico ou pobre. Estamos em um mundo com muitos de indivíduos soberbos, ou como diz o ditado popular, fulano está com o “rei na barriga”.

Nos orgulhamos de nossas conquistas, do carro importado, da namorada linda, dos filhos abençoados, dos relacionamentos sociais, do poder, da influência, da palestra ministrada e de tudo aquilo que depositamos nossas forças e energias, isto é, onde verdadeiramente está o nosso coração.

Precisamos realmente disso? Creio que não. Somos iguais. Todos possuem o seu valor. É necessário voltar a base, é necessário abandonar o “eu”, a música de Paulo Baruk, “Perdão”, é sugestiva ao dizer: “Deus, livra-me de mim”. Vamos lembrar dos momentos difíceis, das lutas, da família, das amizades e de tudo que Deus proporcionou e melhorou para as nossas vidas.

A canção “Nas mãos do oleiro” retrata bem a situação de quem somos, se compararmos com a imensidão do universo: “Em Tuas mãos eu sou pó; nenhum valor, barro sou; quem sou eu pra questionar?”. Quer voltar ao princípio? A música ainda apresenta uma solução para quebrar o nosso ego e orgulho: “Nas mãos do oleiro me entrego inteiro; Pra ser quebrado e refeito; Nas mãos do oleiro sou restaurado; Pra ser um novo vaso”. O oleiro da música é Deus, o nosso criador. Que morra o velho homem e nasça uma nova criatura!

Quebre a vaidade e o orgulho da sua vida. Rompa esse ciclo vicioso. Abandone o seu “eu”. Todos somos seres humanos iguais, não podemos fazer acepções de pessoas, pois cada um tem o seu valor e é único neste mundo. É fundamental lutarmos diariamente contra o nosso “eu” e vivermos uma vida de serviço para pessoas ao nosso redor.

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Francisney Liberato Batista Siqueira é Secretário de Controle Externo, Auditor Público Externo do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Palestrante Nacional, Professor, Coach, Mentor, Advogado e Contador. Autor do Livro “Mude sua vida em 50 dias”.

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