A lógica torcida da evolução

Filósofo americano propõe, através de formalismo lógico, a impossibilidade da Teoria de Darwin

Darwin: para os materialistas o homem não tem alma, não tem espírito e não existe nada além da matéria

Para muitos cristãos a Teoria da Evolução é como um abismo enorme que apareceu no meio da estrada do conhecimento humano. Muitos veem a teoria em si como um obstáculo à fé em Deus e se sentem compelidos a combatê-la, tentando provar com os mesmos meios teorias como a do Design Inteligente, para ver se criam uma ponte para atravessar o tal abismo.

A evolução foi, sem dúvida, uma boa ferramenta para disseminar uma cosmovisão que já rondava as trevas do anticristianismo, o materialismo. Para os materialistas o homem não tem alma, não tem espírito e não existe nada além da matéria. Toda a vida humana não passa de reações orgânicas e tudo se explica pela ciência. O ataque ao Cristianismo é claro. Devemos, portanto, respaldar iniciativas para impedir este ensino nas escolas?

O filósofo americano Alvin Plantinga pensou diferente. Ao invés de declarar guerra contra a Evolução em si, ganhou em 2017 o prêmio da Templeton Foundation por argumentar que a cosmovisão naturalista/materialista contradiz a própria teoria. Plantinga desenvolve a ideia em alguns passos.

Para o naturalista, o comportamento humano é apenas produto de reações químicas, ações hormonais e condicionamentos genéticos. O comportamento é adaptado gradualmente às condições do ambiente para permitir a sobrevivência e a multiplicação das espécies, que é a famosa “seleção natural.” Acontece que as crenças e conceitos sustentados pelos indivíduos são também produto destas reações químicas e orgânicas.

A seleção natural não se ocupa do desenvolvimento de crenças e subjetividades racionais, mas do comportamento. As crenças não precisam ser verdadeiras, é o comportamento que assegura a sobrevivência. Nesse caso, nossas percepções sobre o universo são um mero produto de reações naturais e não devem ser consideradas.

O argumento de Plantinga, que segue o formalismo da filosofia analítica, é mais sofisticado do que o que estou demonstrando. Usa vários passos e algoritmos para chegar à conclusão final. Mas basicamente é isto: para se levar a sério, crer em suas habilidades cognitivas e em suas descobertas, o cientista tem que obrigatoriamente sustentar que existe alguma coisa além do céu e a terra. Num mundo sem alguma espécie de divindade e de realidade metafísica não se pode sustentar a validade da racionalidade abstrata.

Não se faz ciência sem pressuposições básicas. Se a cognição não é confiável, essas crenças não são confiáveis, logo a ciência não é confiável. Se não existe Deus, toda a ciência não passa de ilusão temporária. Todo o conjunto do conhecimento humano não passa de um produto das reações químicas, orgânicas e comportamento aprendido.

O feito de Plantinga deve nos interessar porque ele usa a própria lógica, que geralmente é posta numa categoria separada da fé para demonstrar a necessidade da fé. Mas o que ele não faz e que nós também não deveríamos fazer é se engajar numa guerra contra a ciência. A fé que se ergue contra o conhecimento não é fé de verdade.

Fé é produto de um coração humilde. Guerra contra o conhecimento é jactância, produto da vaidade. A Bíblia nos aponta na direção da humildade. Não vemos em nenhum lugar Deus preocupado em provar a si mesmo. A fé vai permanecer porque ela é o mais firme pilar da existência humana, e sustenta até a ciência que a ataca.

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