A irrelevância imposta pelo MEC

Estamos colhendo o que o MEC nos impôs ao longo do tempo, com especial prejuízo advindo da balbúrdia imposta nos governos petistas

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Não é só que a formação docente no Brasil — como imposta pelo MEC — foca demais em teoria e de menos na prática de ensinar.

Grande parte da teoria que se ensina é irrelevante e só serve como doutrinação ideológica de viés esquerdista. São disciplinas teóricas que têm como único propósito reforçar — sem qualquer rigor científico — as narrativas “progressistas”: as “fake subjects”, como chamadas por Roger Scruton.

Um estudo de 2017 nos traz alguns exemplos dos temas em que os professores de Pedagogia desperdiçam nosso dinheiro — ao invés de aumentar o tempo de prática no ensino da alfabetização, por exemplo:

  • movimentos sociais
  • sustentabilidade e educação ambiental
  • relações interpessoais e grupais
  • imagens da ética na educação
  • escola, comunidade e movimentos sociais
  • aprendizagem e direitos humanos
  • educação, trabalho e cidadania
  • ecopedagogia
  • educação para valores

Aliás, é exatamente isso o que determina (não, não é opcional) a Resolução do CNE para a formação em licenciatura e cursos de formação pedagógica.

Por exemplo, sobre a formação dos profissionais do magistério para a Educação Básica: Base Comum Nacional; ou seja, todos têm que cumprir:

“VI – as questões socioambientais, éticas, estéticas e relativas à diversidade étnico-racial, de gênero, sexual, religiosa, de faixa geracional e sociocultural como princípios de equidade.”

Se no ensino todos são obrigados a desperdiçar tempo e dinheiro com esse tipo de “ciência”, não poderia ser diferente na pesquisa. Assim como no ensino, jogamos fora recursos dos cidadãos em pesquisas que, na melhor das hipóteses, ninguém lê.

Eis alguns editoriais de uma das revistas de educação mais respeitadas pela academia brasileira:

A EDUCAÇÃO NO ATUAL CENÁRIO POLÍTICO ECONÔMICO MUNDIAL: A DISPUTA ELEITORAL E OS RETROCESSOS NA EDUCAÇÃO” (publicado em 2018)

“A EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA EM RISCO” (2018)

“NEOCONSERVADORISMO, EDUCAÇÃO E PRIVAÇÃO DE DIREITOS” (2017)

“CRISE DO PROJETO DEMOCRÁTICO DE EDUCAÇÃO” (2017)

Não é à toa que, dentre os 54 países que publicaram pelo menos 100 artigos na área de Educação em 2016, ficamos em penúltimo lugar em relevância acadêmica, como mostra o excelente artigo de Marcelo Hermes Lima.

Ou seja, os resultados no PISA, no IDEB e nos rankings de relevância científica internacionais, assim como nosso ESCANDALOSO índice de analfabetismo funcional apenas confirmam: estamos colhendo o que o MEC nos impôs ao longo do tempo, com especial prejuízo advindo da balbúrdia imposta nos governos petistas.

Não é só que não estamos no topo, como Cingapura. É que estamos na rabeira, na xepa, no lixo.

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Anamaria Camargo é mestre em Educação com foco em eLearning pela Universidade de Hull (Inglaterra).

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