A fórmula mágica dos massacres nos EUA

Dos ataques estudados desde 1950, 97.8% ocorrem exatamente em locais onde ninguém pode entrar ou permanecer armado. Parece pouco provável que isso seja uma coincidência

Na entrada da fábrica, o aviso: proibido o porte de armas. Não funcionou.

Na semana passada houve um tiroteio na cidade de Aurora, próximo de Chicago, no Estado americano de Illinois. Gary Martin, um homem de 45 anos, invadiu a fábrica onde trabalhou por 15 anos e abriu fogo contra funcionários que estavam no local. Cinco pessoas morreram e o massacre só não foi maior por conta de quatro policiais que passavam por lá, invadiram a fábrica de válvulas e, após troca de tiros que deixou dois dos policiais feridos, acabaram por matar o assassino.

Acredito que muito viram as notícias e, claro, acompanharam a velha tentativa de alimentar a narrativa desarmamentista usando-se a facilidade de compra de armas nos EUA com a ocorrência. Praxe total. Agora, o que ninguém viu é que, mais uma vez o tiroteio ocorre em um local classificado como “gun free zone”, ou seja, naquela fábrica ninguém poderia estar armado, mesmo que legalmente.

Um repórter do Canal ABC 7 de Chicago perguntou para um funcionário da empresa se ele já havia visto o assassino armado. O funcionário respondeu de pronto: “Não. Nós nem sequer podemos ter armas no trabalho”. Não me parece muito difícil imaginar que alguém disposto a matar quantos conseguir, incluindo colegas de trabalho, de forma premeditada, vai respeitar uma placa na porta ou algumas leis restritivas.

Não, isso não é nenhuma novidade. De acordo com o levantamento do Crime Prevention Research Center, utilizando os parâmetros e dados do FBI, nos ataques semelhantes ocorridos desde 1950, 97.8% ocorrem exatamente em locais onde ninguém pode entrar ou permanecer armado. Parece pouco provável que isso seja uma coincidência.

A facilidade com que se compra armas nos EUA foi imediatamente citada por vários jornalistas e comentaristas em programas jornalísticos que transmitiam, ao vivo, – alguns pareciam até bastante animados – a ocorrência. O que ninguém falou é que o criminoso possuía várias passagens pela polícia incluindo uma condenação por agressão com agravante em 1995, passando 2 anos e seis meses em uma prisão no Mississipi. Ele também possuía outras passagens pela polícia de Illinois e, portanto, de um jeito ou de outro, ele possuía uma arma de forma totalmente ilegal.

Todos reportaram que Gary Martin era muito calado, quase não socializava com outros colegas e apresentava comportamento “esquisito”. Algo bastante comum em outros ataques semelhantes, mas que por questões politicamente corretas, “para não se gerar preconceito” com portadores de distúrbios mentais, quase nunca é discutida a fundo.

Tal qual outros tantos ataques desse tipo, fala-se muito sobre armas, mas praticamente nada sobre a fórmula mágica dos massacres: premeditação, armas ilegais, impossibilidade de defesa das vítimas e problemas psiquiátricos. O que vale é a narrativa desarmamentista, não importa quantos morram.

 

Bene Barbosa é especialista em segurança, escritor, presidente do Movimento Viva Brasil, palestrante, autor do best-seller Mentiram Para Mim Sobre o Desarmamento e instrutor convidado do Curso Básico de Armamento e Tiro do Projeto Policial.

Redes sociais do colunista:

Twitter – Instagram – Facebook