A expansão dos riscos ao candidato a emprego na sociedade da informação: o quadro recente

(Foto: Reprodução)

Carla Reita Faria Leal

Antônio Raul Veloso de Alencar

 

Dando continuidade à nossa série de colunas que abordarão o incremento dos riscos vivenciados pelos candidatos ao emprego na sociedade da informação, trataremos dos dados internacionais que demonstram o aumento de golpes relacionados ao emprego nos últimos anos.

Os dados são extraídos de pesquisa realizada pelo Better Business Bureau (BBB) que fez um amplo diagnóstico sobre os riscos associados às ofertas virtuais de emprego e pelo veículo de comunicação Worklife.

Tal como acontece com a maioria dos golpes praticados com auxílio da internet, este é de um problema global. O aumento do trabalho remoto, o mercado de trabalho flutuante e a crescente popularidade das entrevistas de emprego por meio de plataformas de vídeo contribuíram para um aumento significativo dessas práticas criminosas. 

De acordo os dados da Better Business Bureau (BBB), os golpes de emprego atingem cerca de 14 milhões de vítimas por ano, com US$ 2 bilhões em perdas diretas, decorrentes do trabalho não remunerado prestados a empregadores fraudulentos. Nos EUA, as perdas relatadas ao Centro de Reclamações de Crimes na Internet do FBI sobre golpes de emprego aumentaram 27% entre 2018 e 2020, enquanto as reclamações ao Centro Canadense Antifraude quase dobraram em 2020, quando comparado ao ano anterior. 

No Reino Unido, uma campanha do Disclosure and Barring Service (DBS) alertou aqueles que procuram emprego a tomarem cuidado com o conteúdo questionável em anúncios de emprego, como endereços de e-mail ou de empresas duvidosos, cópia mal escrita e salários irreais. Isso porque o governo britânico detectou que, em 2020, os golpes sazonais de emprego saltaram 88% em relação ao ano anterior.

O grande cenário de incertezas decorrente da pandemia vulnerou sobremaneira os trabalhadores e candidatos ao emprego, como abordado na última coluna sobre a saúde mental do trabalhador, sobre a sensação de definhamento, o languishing. Essa percepção afeta com maior intensidade os candidatos ao emprego, os quais, desprovidos de qualquer segurança em diversos aspectos da vida (seja segurança alimentar, habitacional, de proventos ou sustento), encontram-se especialmente sujeitos a pressões do pretenso empregador e mais vulneráveis a serem vítimas de golpes, como os que temos narrado.

Foi justamente essa a situação de uma mulher em Saint Louis (EUA) que perdeu o emprego durante a pandemia e foi recrutada através de um site de busca de emprego como assistente remota de uma grande empresa. O “empregador” depositou um cheque de US$ 2.400 em sua conta bancária para que a assistente comprasse equipamentos de um fornecedor terceirizado, depois pediu que ela comprasse US$ 2.400 em cartões-presente da Home Depot e enviasse uma mensagem de texto com os números no verso.

Depois disso ela não teve mais notícias do empregador. Seu banco, no entanto, informou que o cheque depositado em sua conta era fraudulento.

O caso é ilustrativo da situação. O relatório de 2020 do BBB Institute sobre golpes de emprego descobriu que os golpes relativos ao emprego vitimaram mais comumente os jovens (pessoas com idades entre 25 e 34 anos) e as mulheres (mais propensas a perderem o emprego), apresentando 67% das reclamações. 

A perda financeira relatada por essas vítimas foi de em média US$ 1.000; além disso, muitas vezes foi relatada a perda de seu tempo, já que 32% das vítimas nunca foram pagas pelo trabalho que fizeram para um empregador que na verdade era um golpista.

Essa não é uma realidade apenas estrangeira, após a reportagem da BBC sobre a empresa Madbird relatada na coluna passada, um brasileiro procurou o veículo de informação relatando ter sofrido um golpe semelhante.

Taillon Janiel da Luz informou à BBC Brasil que teria vendido o carro e pedido empréstimos para amigo e familiares para custear despesas com um falso estágio em Londres. Depois de transferir cerca de R$ 28 mil para uma empresa que supostamente oferecia a vaga na Europa, o brasileiro descobriu que tinha caído em um golpe.

Morador de Rio do Sul, cidade de 61 mil habitantes em Santa Catarina, Taillon chegou a ser alertado por pessoas próximas de que a oferta era boa demais para ser verdade. A proposta seria para trabalhar como estagiário na Continental AG, empresa multinacional de pneus, por um salário de aproximadamente R$ 15 mil por mês.

O jovem relatou que, anteriormente, tinha se inscrito num processo de estágio da Continental AG. Depois de certo tempo, recebeu um e-mail dizendo que foi pré-aprovado para o processo de seleção  e assim iniciou-se o golpe.

A empresa, após ser procurada pela BBC, informou que teve seu nome “usado indevidamente por criminosos” e que “a fraude de recrutamento é um fenômeno global”.

Portanto, todos devemos ficar muito atento a mais essa fraude.

 

*Carla Reita Faria Leal e Antônio Raul Veloso de Alencar são membros do Grupo de Pesquisa sobre o meio ambiente de trabalho da UFMT, o GPMAT.

 

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