À espera de um milagre

Assim estamos todos nós. Angustiados, agoniados pelo que vai acontecer nesses minutos finais da grande batalha

(Divulgação)

O clima nunca esteve tão tenso. A quatro dias das eleições o desespero se espalha na campanha de Haddad e seus eleitores que buscam, desesperadamente, uma “bala de prata” que possa atingir o coração de Bolsonaro e provocar uma virada que não está em qualquer radar. Nunca se viu o país tão dividido. O medo está nas ruas e não se duvida que outros atos de violência possam acontecer.

Dos dois lados surgem coisas estapafúrdias: se de um, fatos como a declaração do filho do capitão, afirmando que para fechar o STF bastaria um cabo e um soldado, em uma palestra há 4 meses, causam grande desconforto na cúpula do Judiciário, do outro lado não é dada a mesma dimensão por declarações de igual desatino por líderes de PT, como o deputado Federal Wadih Damous, Zé Dirceu e o próprio Lula, que trilharam o mesmo caminho. Quando confrontado com o fato que Damous usara o mesmo expediente, Haddad calou-se. Acabava ali o seu ataque.

[featured_paragraph]A afirmação de Haddad de que o cantor Geraldo Azevedo, em show na Bahia, declarou que fora torturado pelo seu vice, causou um estrago enorme no seu discurso. Mourão, à época, tinha apenas 16 anos o que mostrou ser uma grande mentira, ou fake news, como vem sendo chamado.[/featured_paragraph]

A grande verdade é que Haddad não consegue fazer um “mea culpa” dos erros cometidos pelo PT nos últimos 13 anos. Assume apenas que houve caixa 2 e enriquecimento ilícito, não assumindo a roubalheira desenfreada , com condenações por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e tantos outros crimes. Não pode, por ser preposto de Lula – o seu pixuleco -, admitir que os crimes praticados, levando à condenação das principais lideranças do partido, realmente ocorreram. Seria reconhecer aquilo que o PT desmente a cada dia em seu discurso repetido, de que Lula foi condenado sem provas e o PT foi o grande instrumento de desenvolvimento do país.

O desespero do PT é tão grande que não sabe como será o dia seguinte, com a destruição total do seu aparelhamento e o fim da lambança que levou o país à condição de terra arrasada. Daí todas as desesperadas tentativas de uma virada matematicamente impossível de acontecer.

O partido voltará ao lugar de onde nunca poderia ter saído, a oposição, coisa que sempre fez tão bem.

O que falta, nesta altura do campeonato, é saber até onde os institutos de pesquisa estão mostrando a verdade. E isso na noite do dia 28, domingo próximo, poderemos aferir.

As redes sociais têm mostrado a sua força, até então inimaginável. A grande imprensa, comprometida com a manutenção do “status quo”, opera desavergonhadamente, com o real receio de que perderá a sua principal fonte de receita. Ninguém poderia imaginar que o tempo de TV e rádio se curvariam à força do WhatsApp, Instragam, Facebook e Twitter.

Bolsonaro, por sua vez, tenta virar bombeiro. Quer, a todo custo, que seus seguidores, e, principalmente, seu núcleo mais próximo, contenham-se, e deixem de lado o clima de já ganhou. A eleição só termina após o último voto. Não é hora de se deixar levar pela emoção.

Por aqui, neste Mato Grosso cheio de problemas, Mauro Mendes esquenta a cabeça. Sabe que não poderá cumprir as metas que estabeleceu para o início do seu mandato. Vai precisar de muito diálogo com os Poderes, que não admitem a hipótese da redução de seus duodécimos e vai precisar de fórmulas mágicas para equacionar o rombo de 4 bilhões deixado por Taques.

Por falar em Taques, não há como não enxergar que a divulgação da delação de Alan Malouf atingiu-o como um tiro de escopeta no peito.

Terá ele, sim, todo o direito ao contraditório, ao devido processo legal e à ampla defesa, mas nada disso fará reverter a imagem de homem probo que foi para o lixo. Sai, talvez, como o pior governador da história, além de ter de se submeter ao vexame de operações futuras de busca e apreensão e até mesmo de uma possível prisão, provando, muito provavelmente, do seu próprio veneno. Inimaginável!

Assim estamos todos nós. Angustiados, agoniados pelo que vai acontecer nesses minutos finais da grande batalha. O que se espera, de verdade é que tenhamos um final feliz, com a esperança de que a divisão que tomou conta do país comece a refluir e que o eleito faça por merecer todas as lutas e batalhas que foram feitas em seu nome, trazendo de volta a esperança e a construção do Brasil que queremos.

* advogado, analista político e ex-parlamentar estadual e federal

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