A educação profissional na pandemia: contribuições para a sociedade

Cabe a nós pensarmos no futuro e trabalharmos com soluções e propostas para melhorar a sociedade

Foto: Divulgação

Mesmo sem saber ainda quando a pandemia de Covid-19 terá fim, já sabemos que ela entrou para a lista das grandes crises globais da humanidade. Além de uma crise sanitária, com milhões de mortes em todo o mundo, o novo coronavírus trouxe consequências econômicas graves e expôs as desigualdades sociais. Muitos segmentos tiveram que suspender suas atividades, mesmo que temporariamente.

Nós do IFMT – Instituto Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso, assim como outras instituições de educação, passamos por essa situação, mas não ficamos paralisados. Pensamos no que poderíamos fazer para diminuir o impacto dessa pandemia na vida das pessoas e em como ajudar nosso Estado e nossas cidades a enfrentar os problemas.

O momento se tornou oportuno para compreendermos que a natureza do IFMT não se restringe apenas às salas de aula. Cabe a nós pensarmos no futuro e trabalharmos com soluções e propostas para melhorar a sociedade, através da ciência e da produção de tecnologias.

Cientes de nossos compromissos, nós do IFMT começamos a atuar imediatamente em dezenas de projetos que envolvem centenas de profissionais da Instituição, nos diversos campi distribuídos por todas as regiões do Estado.

Dentre as ações, o grande destaque em termos de quantidade e abrangência é a produção de álcool 70%, líquido e em gel, que tem atendido instituições públicas e famílias carentes em todas as regiões de Mato Grosso, incluindo comunidades indígenas. Apenas o campus Alta Floresta já produziu mais de oito mil litros dos 10 mil previstos inicialmente.

O mais ousado dos projetos, no entanto, é a implantação dos laboratórios para realização dos testes RT-PCR, considerado o teste “padrão ouro” pela Organização Mundial de Saúde, pois é o mais preciso do mercado, com alto índice de confiabilidade. E o campus Alta Floresta, mesmo distante dos grandes centros, terá um laboratório para testes de Covid-19 com capacidade de fazer 480 exames por semana, podendo chegar a 960 dependendo da demanda da região.

O projeto exige investimentos que podem ultrapassar R$ 1 milhão, entre compra de equipamentos, kits e reagentes. A instituição demonstrou capacidade de articulação e credibilidade junto aos setores públicos e privados na busca de parcerias que viabilizaram rapidamente um projeto dessa magnitude.

Este laboratório é uma parceria com a Prefeitura Municipal de Paranaíta, o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual, o Consórcio de Saúde dos Municípios do Alto Tapajós, o Tribunal Regional do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho.

Esses parceiros estão contribuindo financeiramente na compra dos equipamentos necessários, kits e reagentes. O IFMT, além de investimentos na viabilização do projeto, entra com a nossa mão de obra qualificada e o conhecimento, que têm valores imensuráveis.

Nas cidades distantes dos grandes centros, como é o Caso de Alta Floresta, Paranaíta, Carlinda, Apiacás, Nova Bandeirantes e Nova Monte Verde, municípios que serão atendidos pelo laboratório, a situação dos doentes é ainda mais delicada e preocupante. As secretarias de saúde da região precisam mandar os testes de Covid para Cuiabá e aguardar os resultados, que pode demoram semanas.

O laboratório do IFMT será o único da rede pública e particular da microrregião a realizar esse tipo de testes, proporcionando celeridade aos resultados, possibilitando tratamento mais preciso e rápido dos pacientes, além de permitir aos gestores a tomada de decisão quanto a medidas de isolamento social, uma vez que será possível precisar de forma mais eficaz o nível de circulação do vírus.

É importante destacar diversos outros projetos de relevância, tais como o apoio à micro e pequenas empresas na adoção de medidas no enfrentamento da crise econômica gerada pela pandemia. A produção de face shields em diversos Campi está contribuindo para dar segurança a profissionais de saúde. Podemos citar ainda a produção de máscaras e as ações voluntárias de servidores engajados nos movimentos sociais buscando assistir as famílias em necessidade.

Estamos cumprindo com o nosso dever de contribuir com a sociedade, ajudando a salvar vidas. Academicamente essas ações também são importantes, pois estamos agregando um conhecimento que ficará para as próximas gerações. O laboratório será utilizado pelo campus, após o período de pandemia, para pesquisa nas áreas de biologia molecular e para atender a região com testes e diagnósticos de outras doenças. Resolvemos uma demanda do presente e nos preparamos para o futuro. Esse deve ser o papel das instituições de ensino e tecnologia.

Apesar dos desafios, o sentimento é de orgulho da nossa equipe, que topou enfrentar essa missão de implantar um laboratório e realizar testes, assumindo o risco, pois ainda que todos os protocolos de segurança sejam adotados, os profissionais na linha de frente ao combate à pandemia estão mais expostos.

Passamos por tempos sombrios, com movimentos de desvalorização da importância da educação e da pesquisa. Mas neste momento de crise, o IFMT se soma a tantas outras instituições de ensino, pesquisa e extensão no Brasil e mostra o seu valor. Estamos provando que a educação tem papel fundamental no desenvolvimento econômico e social de um país.

Enquanto parte do mundo precisou parar, as instituições de educação seguiram em frente produzindo estudos, conhecimento e ações para enfrentar o novo coronavírus. Nós não vamos parar de produzir conhecimento. Seguimos todos juntos trabalhando por um mundo melhor.

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Julio César dos Santos é doutor em história pela UFMT, especialista em gestão escolar, docente do IFMT e atualmente exerce a função de Diretor Geral do Campus Alta Floresta.

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