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Judiciário

Secretário responsável por caravana diz que governo está “no escuro” com Operação Catarata

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Gabriela Galvão

O secretário de Estado de Assuntos Estratégicos e responsável pela Caravana da Transformação, José Arlindo de Oliveira, disse que o governo está no “escuro” tentando “adivinhar” o que o Ministério Público tem guardado e que motivou a deflagração da Operação Catarata.

“Todos os procedimentos, que são documentos públicos, foram alvo da busca e apreensão, e o processo está em segredo de justiça. Então estamos sem elementos, mas supomos que o Ministério Público se baseou em fatos não verdadeiros, equivocados”, disse, em entrevista coletiva nesta terça-feira (4).

Ele ressaltou que, há cerca de 15 dias, uma conselheira do Conselho Estadual de Saúde denunciou que documentos estavam sendo fraudados e o Governo também está levando isso em consideração para tentar saber o que o Ministério Público tem em mãos.

O secretário de Governo, Domingos Sávio, disse que o Executivo respeita o MP, mas não tem intenção de parar o programa e irá recorrer da decisão de suspender o contrato. Ele informou que teve acesso à ação.

Segundo ele, os procedimentos cirúrgicos passam pela fiscalização da empresa 20/20 Serviços Médicos S/S, da Secretaria Estadual de Saúde, da Vigilância Sanitária e da pasta de Assuntos Estratégicos.

“O governo tem muito orgulho de ter tirado 70 mil pessoas da escuridão. Todos os promotores, de todos os municípios que passamos, foram convocados para participar da Caravana”.

Os responsáveis explicaram o funcionamento da Caravana e como se dá o processo para realização das cirurgias. Explicaram ainda o motivo de não haver regulação, exigência do Sistema Único de Saúde (SUS), um dos questionamentos do MP. “Não usamos esse sistema, mas os pacientes são controlados”, disse Arlindo.

Domingos Sávio negou as suspeitas de “cirurgias fantasmas”. Ele disse que existem depoimentos de pessoas que alegam não terem feito cirurgia, mas cujos nomes constam na lista de atendidos pela caravana. Segundo Domingos, no entanto, o governo pagou pelos procedimentos realizados antes da cirurgia, como exames e consultas. “O paciente fez todo processo, mas não fez a cirurgia, por impedimento ou porque desistiu”.

A coletiva à imprensa conta ainda com a presença do assessor da Saúde Wagner Simplício, do secretário de Comunicação, Marcy Monteiro, de uma técnica da pasta de Assuntos Estratégicos e da advogada da empresa 20/20 Serviços Médicos S/S.

Operação Catarata

Alvo da Operação Catarata, deflagrada na segunda-feira (3) pelo Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco), a Caravana está sob investigação do Ministério Público Estadual (MPE). Segundo o promotor Mauro Zaque, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público, há suspeita de que o governo pagou à empresa 20/20 Serviços Médicos S/S por cirurgias não realizadas.

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