Eleições 2018

Ciro Gomes diz que política econômica liberal pode matar o agronegócio

Foto de Laíse Lucatelli
Laíse Lucatelli

Durante visita a Cuiabá, o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou que a política econômica liberal proposta pelo adversário Jair Bolsonaro (PSL) destruiria o agronegócio em menos de um ano. Ele fez um ato político nesta sexta-feira (24), no comitê de campanha de Mauro Mendes (DEM), que disputa o governo de Mato Grosso tendo Otaviano Pivetta (PDT) como vice.

“O agronegócio ser conservador e defender políticas econômicas liberais é praticamente pedir para morrer. Vamos supor que as ideias do professor Paulo Guedes, que assessora o Bolsonaro, fossem praticadas. O agronegócio brasileiro acabaria em menos de 12 meses”, disparou Ciro, em entrevista coletiva.

Segundo o presidenciável, que já foi ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, o agronegócio tem crescido mais que outros setores da economia e um dos responsáveis pelo bom desempenho é o subsídio do governo brasileiro às taxas de juros dos empréstimos contraídos pelo setor.

“O crédito é a coisa que mais destrói empresas no Brasil. Foram fechadas 13 mil indústrias e 220 mil pontos de comércio nos últimos 3 anos. Há muitas razões, mas a mais grave é juro. E o agronegócio segue com suas dificuldades, mas segue forte, expandiu 13% no ano passado, e neste ano vai encolher um pouco. Porque o governo brasileiro subsidia mais de R$ 100 bilhões por ano o crédito, de maneira que, mesmo caro, a taxa de juros chega 6% a 8% na ponta para o produtor, enquanto o comerciante e industrial comuns descontam duplicata a 1,75% ao mês”, citou.

Ele chamou o discurso do adversário de “demagogia” e destacou que ele “nunca administrou uma bodega”. “Há muita ineficiência, roubalheira e corrupção. As pessoas veem a vaquinha pesteada de carrapato e, em vez de limpar o carrapato da vaca, resolvem matar a vaquinha. Claro que quando você mata a vaquinha o carrapato acaba, mas você também perde o leitinho, perde a cria, perde a vaquinha”, exemplificou.

Ciro destacou a ligação com o agronegócio ao escolher a ex-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) Katia Abreu (PDT) como vice na sua chapa.

Promessas de Ciro para MT

O candidato prometeu trazer mais infraestrutura para Mato Grosso e fomentar a industrialização do Estado. “O Brasil deve muito a este Estado e vamos devolver isso ajudando Mato Grosso em sua agenda de infraestrutura, de agregação de valor em uma agricultura pujante e poderosa, e qualificação das políticas sociais. Apesar de ser um celeiro, há ainda muita pobreza, violência e deseducação”, disse.

Outro ponto defendido por ele é o investimento em formas alternativas de escoamento da produção que não sejam somente as rodovias. “Grande parte da produção daqui é desperdiçada porque é obrigada a descer por estradas muito caras até Paranaguá e Santos. Precisamos dar ao Mato Grosso e ao Centro Oeste troncos hidroviários e ferroviários para não ficar com os ovos numa cesta só. A greve dos caminhoneiros nos mostrou o erro estratégico que isso representa.”

Lei Kandir

Ciro prometeu manter a isenção de impostos criada pela Lei Kandir e tachou a falta de compensação de calote do governo federal. “Como tudo no Brasil, se criou uma lei sem estudar, que tira impostos dos Estados, e a União se comprometeu a indenizar, mas passou calote nos Estados. Isso quebrou o Rio Grande do Sul. Não quebrou Mato Grosso, mas prejudica. Precisamos corrigir isso”, disse.

Para compensar os Estados pela perda, ele propõe transformar contribuições em impostos para que a União divida essa arrecadação com os Estados e municípios, entre elas a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  (CSLL), Pis e Cofins. “O Pacto Federativo brasileiro está rasgado”, afirmou.

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26 de abril de 2026 08:48