Mato Grosso

Arquiteta teria fugido por acreditar que acidente se tratava de assalto, dizem testemunhas

Foto de Lidiane Barros
Lidiane Barros

Duas testemunhas de defesa da estudante cuiabana, Hívena Del Pintor Vieira, foram ouvidas nesta segunda-feira (20), no Fórum de Cuiabá, a pedido da Justiça de São Paulo, onde o processo tramita na 24ª Vara Criminal.

Ela é acusada de atropelar dois garis e matar um deles em uma das principais avenidas paulistas, na madrugada de 16 de junho de 2015. O caso gerou revolta, repercutindo nacionalmente. Criminalmente, Hívena pode responder pelas acusações de evasão do local, omissão de socorro, homicídio culposo e lesão corporal.

A dermatologista Judith Dias Novaes de Rezende Ribeiro, assim como o pai da acusada, Washington Del Pintor Vieira, confirmaram a declaração da arquiteta, de que ela não teria ciência do acidente e que acreditava ter sido vítima de uma tentativa de assalto.

Judith foi a primeira a ser ouvida. Ela disse em juízo que pode ter sido a primeira a saber do ocorrido em Cuiabá, pois Hívena teria saído do aeroporto direto para a clínica em que a médica trabalha, já que no momento ela atendida a mãe da acusada, em tratamento devido a uma complicação cirúrgica.

“Ela ia à clínica umas duas vezes por semana e em uma dessas ela me falou que Hívena estaria vindo em caráter emergencial. E perguntou se eu não me importaria que ela entrasse na sala quando chegasse. Quando chegou, estava abatidíssima, arrasada e me disse que havia passado por uma tentativa de assalto, naquela madrugada. Desesperada, disse que não tinha dormido a noite inteira porque tinha ido à delegacia, feito o que achava correto nessa situação”, disse a médica.

Judith acrescentou ainda que ela contou ter saído da casa de uma amiga, já tarde da noite e que quando estava indo embora, em um ponto escuro do centro da cidade, percebeu que jogaram algo parecido com um carrinho de compras em cima do carro dela.

“Ela levou um susto muito grande e imaginou que fosse uma tentativa de fazê-la parar. Quando ela olhou pelo retrovisor, flagrou uma certa movimentação, que só reforçou sua impressão de que seria assaltada. Ao ouvir isso achei perfeito. Já morei em São Paulo e é muito comum isso acontecer lá”, completou.

Depoimento do pai

Questionada se Hívena havia bebido na noite do acidente, a dermatologista disse: “Contraria muito minhas orientações, mas jamais fez uso de entorpecentes”. [related_news ids=”44639,26887,26890″][/related_news]

Na sequência, o pai de Hívena foi ouvido. Ele, que iniciou seu depoimento contando como e porque sua filha foi para São Paulo, ratificou as declarações da médica. Washington Del Pintor também ressaltou ter 55 anos, ser advogado, oficial de justiça e católico, para dizer que tem princípios e jamais diria para a filha falar algo diferente do ocorrido para tirar responsabilidade dela.

“Ela me ligou apavorada, chorando e gritando: pai sofri um atentado de assalto e, sem querer, arranquei do semáforo, observei no retrovisor as pessoas se aproximando do meu carro e vi que bati em alguma coisa de volume, o que eu faço? E eu disse: sai daí, onde você tá? E ela me respondei: não sei, estou seguindo o waze, perto do centro de SP. Então falei de novo: sai daí e liga para o 190”, contou.

Ainda conforme o pai, depois de um determinado tempo, ela retornou e disse que tinha ligado para o 190 e teria sido orientada a ir a uma delegacia. “Ela pegou um taxi é foi para lá, como tinha passagem marcada para de manhã, perguntou se tinha problema, se tinha algo registrado e eles falaram que não tinha nada. Então ela viajou para cá”.

Washington Del Pintor também disse que ela contou estar numa confraternização com amigas e relatou não saber se havia bebida alcoólica.

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