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Ruy Ohtake é o entrevistado de Roseann Kennedy nesta segunda-feira

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Agência Brasil

Considerado um dos gigantes da arquitetura brasileira, com mais de 300 obras realizadas no Brasil e no exterior, o paulistano Ruy Othake usa sua arte para resolver problemas urbanos e sociais. De sorriso gentil e incansável, no auge de seus 80 anos, o arquiteto e urbanista é o entrevistado desta segunda-feira (6) no programa Conversa com Roseann Kennedy, que vai ao ar às 21h15, na TV Brasil.

Ruy Ohtake aposta em cidades mais democráticas e coloridas, com espaços de convivência e menos desigualdade, defende o papel social da arquitetura e é enfático ao criticar a falta de políticas para moradia no país. “O Brasil poderia dar condições melhores de projetos de habitação, principalmente para comunidades mais carentes”. Para ele, a arquitetura tem a função de dar dignidade de moradia para todo mundo, seja em comunidades mais carentes, seja em bairros mais sofisticados. “Essa dignidade é um direito à vida que todos nós temos que ter. ”

Ele usa a arquitetura para transformar realidades, principalmente de populações mais carentes, assinando projetos variados, que vão de embaixadas e hotéis, a escolas, cinemas, espaços de convivência e obras públicas de cunho social. Exemplo disso é o complexo de oito prédios de apartamentos populares em forma cilíndrica, conhecidos como “redondinhos”, entregues em Heliópolis, bairro com uma favela de mesmo nome, localizado na zona sul da cidade de São Paulo. São construções que resgatam a dignidade de uma das comunidades mais carentes da capital paulista.

Para Ruy, a arquitetura é uma manifestação ideológica: “É quase uma ideologia de vida. O mesmo direito que qualquer cidadão tem em relação à educação e saúde, tem também em relação à habitação.”

O arquiteto recebeu a equipe do programa em seu escritório em São Paulo e conversou sobre seus projetos, suas influências e vida pessoal. Filho da artista plástica Tomie Ohtake, ele diz que sempre conviveu com a arte dentro de casa e recebeu influência positiva da mãe, ao vê-la pintando quadros todos os dias. “Uma coisa que eu aprendi com ela foi a intuição. Todo mundo tem intuição, e eu aprendi que tinha que desenvolver essa intuição e não ter medo de errar.”

Quando fala de suas inspirações e de sua capacidade criativa, ele diz que o que mais o emociona são “as coisas bonitas, as coisas inesperadas e as coisas inusitadas”. E explica: “Por exemplo, a linha reta é uma linha previsível. A linha ondulada é a fantasia. É da fantasia que eu gosto.”

Para o arquiteto, o rompimento é fundamental na arte: “Quem tem medo de polêmica nunca vai ser de vanguarda, porque, à medida que se avança com uma coisa nova, criam-se algumas polêmicas. Então, é preciso confiar na própria intuição.”

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