Ednilson Aguiar/O Livre

Juíza Selma Rosane Arruda em audiência na 7ª Vara Criminal de Cuiabá
O presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM), José Arimatea Neves Costa, defendeu a juíza Selma Rosane Arruda da acusação de parcialidade feita pelo advogado Francisco Faiad (clique aqui para ler a reportagem). O presidente da AMAM afirmou que o fato de juízes cederem entrevistas à imprensa não traz qualquer tipo de problemas aos processos julgados por eles.
“Isso torna a atividade do juiz mais transparente, torna a própria mente do juiz, a forma de pensar do juiz, mais transparente para a sociedade. A mídia é o canal de comunicação de qualquer agente público com a sociedade em geral, ela é essa ponte, não tem como evitar. Hoje a modernidade, com a comunicação em tempo real, não tem como o juiz evitar isso aí”, afirmou o presidente da AMAM.
Francisco Faiad ingressou com uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra Selma pedindo, inclusive, sua aposentadoria compulsória. Ele alega que, devido aos posicionamentos da juíza feitos à mídia local, ela não teria mais a parcialidade necessária para julgar os processos da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Em sua petição, o advogado citou diversas declarações de Selma à imprensa para pedir a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) pelo corregedor nacional de Justiça. Ela já admitiu que deve se aposentar nos próximos anos e que não descarta a possibilidade de disputar eleições.
O presidente da AMAM entende que a relação com os órgãos de imprensa não traz prejuízo aos processos judiciais. “Eu acredito que não traz nenhum prejuízo, até porque o juiz se acostumou com essa convivência e isso não interfere na atividade jurisdicional”, disse José Arimatea.
“Eu lembro que quando eu era menino a gente só ouvia falar do juiz da cidade, mas a gente nunca via esse juiz, era igual cabeça de bacalhau, sabia que existia, mas não via. A sociedade brasileira evoluiu”, disse. “Hoje essa convivência do juiz com a mídia em razão do seu trabalho, da sua atividade, a exposição social, até o nível de transparência da atividade jurisdicional, está muito mais intensa do que há 20 ou 30 anos. Acho que, na verdade, essa coisa hoje deve ser encarada com naturalidade”, declarou o presidente da AMAM.
Segundo José Arimatea o juiz não pode e nem deve negar informações que não sejam sigilosas porque, em tese, ele não tem nada a esconder. “Eu mesmo já atuei lá (7ª Vara Criminal) por vários anos e atendia à imprensa sempre que solicitado sem nunca ter tido problemas”, afirmou o juiz.



