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“Tive que dar água da chuva para meu bebê”, diz mãe

Foto de Gabriele Schimanoski
Gabriele Schimanoski

Era tarde de sábado (04/03) quando a reportagem do LIVRE avistou um homem com mamadeiras nas mãos e que parecia procurar água potável para encher um galão. A cena chamou a atenção da reportagem. Estava escurecendo e nosso objetivo no momento era encontrar um borracheiro, pois “rasgamos” um pneu no percurso do atoleiro.

Em meio a centenas de caminhões parados no bloqueio de Vila Bela do Caracol, estava o pai do Henrique, o caminhoneiro Marco Antonio Cardoso. Ao chamá-lo, perguntamos se havia uma criança na carreta. Ele balançou a cabeça confirmando e, em seguida, disse: “Tive que dar água da chuva para o meu filho”.

Desolado, o caminhoneiro prontamente nos atendeu e relatou parte da história da sua família. Ao lado da esposa Noemi e do seu caçula – um bebê de apenas cinco meses – eles saíram de Foz do Iguaçu com destino a Sorriso para embarcar a soja. Por conta da saudade do pequeno, ele sugeriu que a esposa fosse junto e levasse o bebê. Marco Antonio só não esperava que passaria pelos piores dias da sua vida.

“O leite do meu filho acabou, tivemos que pegar água da chuva para dar pra ele”, conta. A esposa, em meio ao caos, tentava arrumar um fogareiro para ferver a água, mas nem sempre era possível. “Não sei quantas vezes chorei nessa cabine”, disse a mulher, com os olhos marejados.

Enquanto a reportagem ouvia os relatos, o bebê dormia tranquilamente, para o conforto dos pais. Alívio que veio também de postos de combustível instalados nas proximidades. O casal relata que depois de dias de insegurança, postos da região encaminharam doações, e eles prontamente aceitaram. “O posto Trevão e o posto Mirian, que fica a quilômetros daqui mandaram mantimentos”, disse Marco.

A expectativa da família era continuar a viagem de volta rumo a Foz do Iguaçu no domingo (05/03), com a reabertura do tráfego. “A gente quer ir embora e não voltar mais não”, desabafa Marco.

Já Noemi não vê a hora de reencontrar o primogênito de onze anos, que ficou com os avós. “Estou com muita saudade do meu outro filho. Desde que cheguei aqui, não falei com ele”, lamentou. Ao todo, a família ficou 21 dias no trecho.

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