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Professor da UFMT lança livro sobre suicídio de escravos em Cuiabá

Foto de Maria Clara Cabral
Maria Clara Cabral

Durante o fim da graduação, enquanto investigava casos de revoltas de escravos em Cuiabá, o então estudante, Bruno Pinheiro Rodrigues, frequentemente se deparava com casos de suicídio de cativos. Como historiador, levou as descobertas para a dissertação de Mestrado, defendida em 2010 na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Hoje, professor da instituição, com a pesquisa ele lança seu primeiro livro em parceria com a EdUFMT e a editora Carlini & Caniato. Neste sábado (05), às 19h, será na Pré-Feira Literária de Chapada dos Guimarães (FLIC), realizada na Câmara de Vereadores, junto ao Memórias Quilombolas, da escritora Amélia Alves.

Já no dia 24 de março, às 19h, ele lança o livro no Campus de Rondonópolis da UFMT, onde leciona, e, na terça-feira (08), ele também desembarca no Estado do Pará e leva o livro ao Campus Bragança, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e na quinta-feira (10), no Campus Belém.

Tereza de Benguela, rainha do Quilombo do Quariterê, maior quilombo formado na história de Mato Grosso

Paixão da Alma: o suicídio de cativos em Cuiabá (1854-1888) é ambientada na Cuiabá do século XIX, com seus 11 mil habitantes divididos entre uma elite luso-brasileira, livres pobres e escravizados. À prática de suicídio destes últimos, ele encontra um termo que melhor aos fins analíticos, “morte voluntária”, que desvincula o suicídio de um crime e transforma-se em um ato de resistência.

“Existe uma gama de pesquisas históricas desde os finais dos anos 1980 que abordam casos de resistência individual. Ao ler a documentação sobre suicídio de cativos, passei a entender que também seriam casos de resistência individual ao sistema escravista, tendo em vista que a condição escrava era um fardo demasiadamente pesado”, explica o professor.

Os casos registrados especificamente no terceiro capítulo do livro, demonstram alta carga emocional e subjetiva, como uma recusa à escravidão. “Colocavam em xeque a própria lógica da escravidão, que se baseava no fato de que um ser escravizado fosse um mero objeto, desprovido de subjetividade”, explica o professor, sobre seus achados.

A perspectiva histórica do professor sobre tema, revela originalidade da abordagem. De acordo com Bruno, o tema comumente tratado em áreas do conhecimento como a Psicologia, a Sociologia e a Filosofia, na História possibilita a compreensão do suicídio ao longo do tempo, das sociedades e dos indivíduos.

“A depender do período e local, o suicida pode ser herói ou vilão, a maior contribuição histórica é possibilitar compreender que a questão precisa ser analisada em suas singularidades temporais, sociais e individuais”.

Bruno Rodrigues, que parte de uma linha de historiadores vinculados a carente da História Social, busca a reescrita da história, dando espaço aos “vencidos, perseguidos e silenciados”, democratizando o conhecimento do passado.

“Acredito que uma pesquisa que se proponha a trabalhar com uma temática como essa seja, antes de mais nada, uma oportunidade para dar visibilidade àqueles que foram silenciados na história, e não têm espaço nos livros didáticos”.

(Com Assessoria da UFMT)

 

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