O PL decidiu resolver sua guerra interna em Mato Grosso da maneira mais brasileira possível: sem resolver. Após uma reunião em Brasília, a direção nacional manteve a aliança com o MDB para a disputa estadual, mas abriu uma exceção para que prefeitos, parlamentares e demais filiados do partido não sejam obrigados a pedir votos à deputada estadual Janaina Riva (MDB), pré-candidata ao Senado.
A medida atende diretamente ao grupo liderado pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, que vinha ameaçando confrontar a cúpula da legenda por causa da aproximação com o MDB. Em vez de impor disciplina, o comando nacional preferiu evitar um desgaste maior e garantiu que ninguém será alvo de punição ou processo interno por rejeitar a composição.
Após o encontro, Abilio reforçou publicamente que permanecerá no PL, mas deixou claro que sua posição continua a mesma: não dividirá palanque nem fará campanha para candidatos do MDB. Ou seja, a aliança permanece oficialmente de pé, mas cada um parece livre para fingir que ela não existe durante a campanha.
No fim das contas, o partido conseguiu um feito raro: preservar a coligação enquanto autoriza seus próprios integrantes a ignorá-la. A costura política evitou um racha imediato, mas também escancarou que o consenso anunciado em Brasília está longe de existir nas ruas de Mato Grosso.