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Opinião

A próxima geração ou a próxima eleição?

Foto de Rodrigo de Arruda e Sá
Rodrigo de Arruda e Sá

Existe uma pergunta simples que todo governante deveria fazer a si mesmo ao tomar uma decisão: estou trabalhando para a próxima eleição ou para a próxima geração?

A resposta parece óbvia. Mas basta observar a realidade para perceber que a política brasileira escolheu outro caminho.

Vivemos a era da política-espetáculo. A era das frases de efeito, dos vídeos curtos, das transmissões ao vivo, das polêmicas calculadas e da necessidade permanente de ocupar as redes sociais. Nunca foi tão fácil conquistar atenção. E talvez nunca tenha sido tão difícil construir resultados duradouros.

O problema não está na comunicação. Ela é necessária. Governantes devem prestar contas à população e utilizar as ferramentas disponíveis para dialogar com os cidadãos.

O problema surge quando a comunicação deixa de ser instrumento e passa a ser finalidade. Quando a imagem substitui a gestão. Quando o vídeo substitui o planejamento. Quando a repercussão substitui o resultado.

Nesse ambiente, obras estruturantes perdem espaço para ações de impacto imediato. Projetos que exigem anos de maturação tornam-se menos atraentes do que medidas capazes de gerar manchetes no dia seguinte. A política passa a ser conduzida pelo algoritmo, não pelo interesse público.

As consequências estão por toda parte.

Centros históricos abandonados porque sua recuperação demanda tempo, persistência e continuidade administrativa.

Sistemas de mobilidade urbana que se arrastam durante décadas porque cada gestor prefere inaugurar algo novo em vez de concluir o que recebeu.

Problemas de drenagem, saneamento e planejamento urbano que permanecem sem solução porque não rendem fotografias tão atraentes quanto um evento ou uma declaração polêmica.

Enquanto isso, a população continua enfrentando os mesmos desafios de sempre.

A verdade é que nenhuma cidade prospera quando seus governantes pensam apenas no próximo ciclo eleitoral.

As cidades que admiramos foram construídas por lideranças capazes de olhar além de seus próprios mandatos. Foram resultado de decisões cujos benefícios muitas vezes só apareceram anos depois.

A infraestrutura, os parques, os sistemas de transporte, os centros culturais e os programas educacionais que transformaram comunidades inteiras nasceram de uma visão de longo prazo. Alguém precisou pensar no futuro.

Hoje, porém, parece que a política se tornou excessivamente prisioneira do presente. Tudo precisa ser imediato. Tudo precisa gerar reação instantânea. Tudo precisa produzir engajamento.

Mas governar nunca foi uma atividade voltada para o instante. Governar é construir condições para que a sociedade prospere daqui a dez, vinte ou cinquenta anos.

É por isso que a grande pergunta que deveria orientar a vida pública continua a mesma: o que deixaremos para aqueles que virão depois de nós?

Mais importante do que quantas visualizações um vídeo alcançou é saber quantas oportunidades uma administração criou.

Mais importante do que uma frase viral é a qualidade da cidade que ficará para nossos filhos e netos.

Mais importante do que vencer a próxima eleição é merecer o respeito da próxima geração.

A história costuma ser generosa com aqueles que constroem. E implacável com aqueles que apenas querem aparecer.

*RODRIGO DE ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.*

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