Um hábito simples, presente na rotina de milhões de brasileiros, pode estar ligado a um cérebro mais protegido ao longo da vida. Um estudo publicado no JAMA e conduzido por pesquisadores da Harvard T.H. Chan School of Public Health e do Mass General Brigham apontou que consumir café e chá regularmente na meia-idade pode estar associado a um menor risco de desenvolver demência.
A pesquisa acompanhou mais de 130 mil pessoas durante quase quatro décadas. Ao longo desse período, mais de 11 mil participantes desenvolveram algum tipo de demência. Os cientistas observaram que os melhores resultados apareceram entre pessoas que consumiam de duas a três xícaras de café com cafeína por dia ou uma a duas xícaras de chá diariamente.
Segundo os pesquisadores, quem mantinha o hábito de beber café apresentou cerca de 18% menos risco de desenvolver demência. Entre os consumidores de chá, a redução observada foi de aproximadamente 14%. Já o café descafeinado não mostrou o mesmo efeito, o que reforça a hipótese de que a cafeína tenha um papel importante na proteção do cérebro.
Os especialistas destacam, porém, que o estudo mostra apenas uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito. Ou seja, não é possível afirmar que o café previne demência. Outros fatores ligados ao estilo de vida, como alimentação, sono, atividade física e saúde cardiovascular, também podem influenciar os resultados.
Mesmo assim, a descoberta animou a comunidade científica. Os pesquisadores acreditam que compostos presentes no café e no chá, como cafeína e polifenóis, podem atuar com efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuroprotetores. O alerta é apenas para o excesso: doses muito elevadas de cafeína podem prejudicar o sono e aumentar a ansiedade, fatores que também impactam negativamente a saúde cerebral.





