Uma mensagem de áudio recente pode ser o maior “escândalo de corrupção e conspiração política da história recente de Várzea Grande”. O material expõe um “balcão de negócios” na Câmara Municipal. O vereador Cilcinho (PV) e o secretário da Câmara, Samir Katumata, montam uma estratégia jurídica sombria para derrubar a prefeita Flávia Moretti (PL) mediante a fabricação de provas.
Na mensagem, que circula nos grupos de zap da cidade, o vereador Cilcinho (PV) revela a existência de um esquema de compra de votos para o comando do Legislativo de Várzea Grande. Segundo o parlamentar, a cadeira da presidência tem preço fixo: “Nessa aqui está em milhões”, afirma, comparando com a eleição anterior, que teria custado R$ 2,5 milhões. O pagamento, segundo ele, é parcelado: “conforme vem vindo, vem pagando”.
Para garantir que o acordo não sofra interferências externas ou “traições”, Cilcinho detalha uma tática de confinamento digna de filmes de espionagem: catorze vereadores seriam levados em uma van para uma chácara de luxo do vereador Dr. Miguel (Cidadania), dois dias antes da eleição, permanecendo isolados e escoltados por seguranças até o momento da votação.
Samir Katumata denuncia “Gabinete do Ódio” contra Moretti
No mesmo áudio, o secretário de “apoio parlamentar”, Samir Katumata, descreve a existência de uma estratégia coordenada para desestabilizar e cassar o mandato de Flávia Moretti através da manipulação da opinião pública. Com a divulgação de recentes áudios atribuídos à prefeita, em que ela fala de “água” e outro em que qualifica o presidente da Câmara, Samir cita uma conversa com Ismael, procurador-geral da Câmara Municipal de Várzea Grande, em que ele admite a utilização de “conteúdos fabricados” junto à imprensa, como os veiculados pela TV Cidade Verde (atual Jovem Pan), PNB Online e Blog do Popó, para criar uma narrativa de irregularidades inexistentes.
O objetivo final seria pavimentar o caminho jurídico para um processo de cassação da prefeita na Câmara Municipal.
A solução encontrada, segundo a transcrição, foi o financiamento de perícias sob encomenda. Katumata confessa que a estratégia é pagar peritos caros (“não foi barato, filhado”) para validar conteúdos que sirvam de base para protocolos na Casa. A intenção é transformar “boatos” de sites de notícias em documentos oficiais para forçar uma queda jurídica que, até então, carece de fundamentos.
O loteamento da Prefeitura: “Ela está f*dida”
A conspiração não visa apenas a derrubada da chefe do Executivo, mas o imediato loteamento da máquina pública. O vereador Cilcinho dá como certa a saída de Moretti: “Todos os vereadores sabem que a prefeita vai cair. Ela está fdida”.*
No plano de partilha do governo “pós-golpe”, as peças já estão sendo movidas. Cilcinho afirma ter poder de indicação e já nomeia a beneficiária de uma das pastas mais robustas do município: “Eu indico a Gisa [vereadora Gisa Barros] para a Educação”.
A sociedade de Várzea Grande assiste agora a uma trama em que o voto popular é tratado como mercadoria e as instituições são usadas como ferramentas de chantagem e ascensão ao poder por meios não democráticos.
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