As pesquisas de intenção de votos chamaram atenção em 2024 pelos números discrepantes entre si e do resultado das urnas. Na época, houve a explicação de que o método de averiguação da opinião pública teria errado o alvo.
Em 2026, a discrepância de dados se repete. Até certo ponto não há do que duvidar dos números. O cientista político João Edisom diz que a margem de erro deixa em aberto, com honestidade, exatamente o que o nome indica.
“Se a margem de erro é de 4 pontos percentuais, para cima ou baixo, a soma da variação de pontos de algum candidato é de oito pontos percentuais. A variação de números entres pesquisas estaria igualmente assegurada com média de 7 pontos percentuais de erro”, explica.
Mas as pesquisas divulgadas até o momento, em datas próximas umas das outras, estão com variação até duas vezes mais larga. Neste caso, o cientista não tem dúvida em cravar: “A questão não é de método científico, mas de caráter [dos responsáveis pelas pesquisas]”.
E o problema tem a ver com partidos políticos. Acompanhante dos bastidores da política, João Edisom diz que tem havido “agenciamento” dos institutos de pesquisas pelos partidos políticos. Na prática, isso significa que o resultado dos dadosjá está contaminado desde o início, com direcionamento dos números.
“Eu posso usar o método científico para algo bem ou para algo ruim. A quantidade de dinheiro que os partidos têm nas mãos hoje em dia possibilita o agenciamento dos institutos. As pesquisas são feitas para favorecer determinado grupo político, que financia a coleta”, comentou.
Juridicamente, diz o cientista, não há muito o que fazer para controlar a qualidade das pesquisas. Apesar da obrigação de registro dos dados na Justiça Eleitoral, não existe nenhum existe mecanismo em vigor para avaliar a coleta. Cada instituto segue decisões internas.
Conforme o cientista, num cenário político polarizado, uma proposta do tipo seria o mesmo que mexer no vespeiro. O descaso com critérios mais confiáveis poderia ser percebido no próprio público de eleitores.
“O público não está atrás de conhecimento, ele quer informação, e muitas vezes a informação não é verdadeira. Mas isso importa menos a ele do que a paixão. O eleitor quer a informação que agrade a ele, se não houver isso, a reação apaixonada é feroz”, comentou João Edisom.
O cientista diz que a polêmica sobre os dados de pesquisa tem ficado restrita ao campo político. Os levantamentos feitos para outras áreas – como a economia – não geram questionamento sobre o resultado. O método (científico) de trabalho seria o mesmo.




