O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, disse que Cuiabá e Várzea Grande estão se tornando “bolsões de miséria”. As cidades estariam a meio caminho da variação socioeconômica em Mato Grosso entre as cidades mais ricas e as pobres.
A amostra da crescente miséria, considerando que as cidades já foram consideradas as mais ricas, está no número de pessoas sem condição mínima de sobrevivência.
“Mato Grosso tem 500 mil pessoas abaixo da linha da pobreza, 120 mil estão em Cuiabá e Várzea Grande. As cidades estão esquecidas há muito tempo sem planejamento [de longo prazo] e isso está as transformando em bolsões de pobreza, miséria”, disse.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (29) durante a audiência pública de apresentação do plano diretor de Cuiabá. Segundo o conselheiro, outras características indicam a transformação das duas cidades, como a taxa de rede de abastecimento de água e o alto índice de infecção de hanseníase.
“Hanseníase só ocorre em locais sem rede de saneamento. Se há índice alto de hanseníase, o saneamento com água e esgoto não não vai bem”, afirmou.
Parte do problema passaria pela falta de planejamento de Estado em áreas básicas, como saúde e o próprio saneamento. O TCE estaria preparando uma diretriz para que os gestores se comprometam a seguir independentemente da posição política.
“Não sabemos que será o próximo governador, mas chamaremos todos os candidatos aqui apresentar números sobre Mato Grosso”, disse.
O conselheiro lembrou também do apontamento do censo 2023 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que 51 cidades em perderam habitantes ao longo da última década, e conseguiriam mais se autossustentar.
O contraponto da comparação do conselheiro são as cidades cuja economia estão sendo impulsionadas pela produção crescente do agronegócio. O IBGE também apontou no último censo que Mato Grosso tem um eixo de cidades produtoras, como Lucas do Rio Verde, Sinop e Sorriso.




