A advogada Viviane Barci de Moraes, sócia do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, recebeu R$ 80.223.654,94 do Banco Master ao longo de 22 meses de prestação de serviços jurídicos. A instituição financeira foi posteriormente liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Mais de 3 milhões por mês
O valor consta em cálculos baseados em informações do contrato firmado entre o escritório da advogada e o banco, documento que passou a circular publicamente no fim de 2025. De acordo com os dados, os honorários mensais pagos pelo Master eram de R$ 3.646.529,77.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (9), Viviane afirmou que o escritório prestou serviços ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período que terminou quando o então controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero.
Diversas reuniões com Vorcaro
Na mesma manifestação, a advogada detalhou parte das atividades realizadas durante o contrato. Segundo ela, foram 94 reuniões de trabalho com representantes do banco, sendo 79 presenciais na sede do Master, cada uma com cerca de três horas de duração. Outras 13 reuniões ocorreram com a presidência da instituição, duas delas presenciais no escritório de advocacia e as demais por videoconferência. Também foram registrados dois encontros virtuais com a equipe jurídica do banco.
Somadas, essas reuniões totalizaram 267 horas de trabalho. O escritório informou ainda ter produzido 36 pareceres e opiniões jurídicas sobre temas variados, incluindo questões previdenciárias, contratuais, negociais, trabalhistas, regulatórias, de compliance, proteção de dados e crédito.
Considerando as 267 horas de reuniões e estimando cerca de 10 horas de trabalho para cada parecer elaborado, o volume total de serviços prestados pelo escritório seria de aproximadamente 627 horas. Em um cenário hipotético de cobrança de R$ 3 mil por hora, valor citado como elevado no mercado jurídico, o montante chegaria a R$ 1,88 milhão, cifra muito inferior aos mais de R$ 80 milhões pagos pelo Banco Master durante os 22 meses de contrato.
O documento contratual também indica que o acordo previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos, com incidência de tributos que elevavam o valor bruto mensal para R$ 3.646.529,77, pagos até o quinto dia útil de cada mês. Entretanto, a prestação de serviços foi interrompida antes do prazo total do contrato.





