A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro após terminar a apuração na última colocação em 2026. A escola, que levou à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disputará a Série Ouro — equivalente à segunda divisão — no Carnaval de 2027.
Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação fez sua estreia no Grupo Especial narrando a trajetória política e pessoal do petista. O desfile teve ampla repercussão nacional e foi acompanhado pelo próprio presidente, que assistiu à apresentação a partir de um camarote institucional.
Além da homenagem direta a Lula, a apresentação gerou forte reação ao incluir alegorias e alas que ironizavam símbolos religiosos, o agronegócio e setores conservadores. Um dos carros, batizado de “Conservadores em Conserva”, foi interpretado por críticos como escárnio à fé cristã e aos valores familiares, ampliando a polarização em torno do desfile.
Antes mesmo do Carnaval, a escolha do enredo colocou a escola no centro de um debate jurídico e político. Partidos e lideranças da oposição acionaram a Justiça Eleitoral sob a alegação de propaganda antecipada, argumentando que o desfile poderia favorecer Lula em um cenário pré-eleitoral. As ações, no entanto, acabaram rejeitadas.
Após a apresentação, a Acadêmicos de Niterói afirmou ter sido alvo de “perseguição política” e acusou gestores do Carnaval e grupos conservadores de tentarem interferir em sua autonomia artística. A escola também alegou pressão para mudanças no samba e no enredo, o que foi negado pelos organizadores do evento.
No fim, a combinação de notas baixas, controvérsia política e desgaste público selou o destino da agremiação. Entre aplausos, críticas e acusações cruzadas, a estreia no Grupo Especial terminou com rebaixamento — e com a escola deixando a Sapucaí como símbolo de um Carnaval atravessado pela disputa ideológica.





