O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, afirmou que o município já começou a sentir os efeitos do orçamento superestimado aprovado no fim do ano passado. Segundo ele, as dívidas voltaram a se acumular porque a arrecadação ficou abaixo do que havia sido previsto.
A frustração de receita — ou seja, a diferença negativa entre o que o orçamento previa arrecadar e o que efetivamente entrou nos cofres municipais — já ultrapassa R$ 400 milhões até o momento, podendo aumentar até o fim do ano.
“O Emanuel Pinheiro colocou, acredito eu, uma expectativa de receita quase R$ 500 milhões acima do que realmente seria possível arrecadar. Essa receita não se comprovou. Arrecadamos um pouco mais do que no ano passado, mas ele vinculou as despesas à projeção superestimada”, explicou o prefeito.
Conforme Abilio, a estimativa irreal de receitas compromete, neste momento, a autossuficiência financeira do município. Paralelamente aos gastos previstos no orçamento, a prefeitura enfrenta um volume de dívidas de aproximadamente R$ 1 bilhão a ser quitado no curto prazo.
“Temos R$ 1 bilhão em dívidas de curto prazo, o que está minando o orçamento da prefeitura. Parte desses débitos precisa ser paga por determinação judicial, e isso afeta todo o orçamento de 2025. Além disso, houve a frustração de receita”, acrescentou.
Abilio lembrou que, ainda no fim de 2024, havia pedido aos vereadores de Cuiabá que adiassem a aprovação do orçamento de 2025, para que ele pudesse revisá-lo. O motivo, segundo o prefeito, era a constatação de uma previsão de arrecadação incompatível com o histórico recente. Ele cita, por exemplo, que Cuiabá registrou redução no valor do orçamento em 2023 e 2024, mas teve projetado um aumento de R$ 500 milhões para 2025.
O quadro mais crítico, conforme o prefeito, está na Secretaria Municipal de Saúde, onde o déficit financeiro gira em torno de R$ 120 milhões. Abilio também mencionou os precatórios em atraso como parte relevante do passivo da prefeitura.




