Adolescentes estão trocando a conversa com amigos por um papo com a inteligência artificial. É o que revela um novo estudo realizado nos Estados Unidos.
Segundo a pesquisa da Common Sense Media, 72% dos adolescentes norte-americanos (entre 13 e 17 anos) já usaram algum tipo de “companheiro” de IA. E mais da metade deles (52%) é usuária regular. Cerca de 13% desses jovens “conversam” com os chatbots diariamente.
Para que os jovens estão usando a IA?
Os principais temas dessas “conversas” parecem com o uso típico que damos à tecnologia:
- entretenimento (30%)
- curiosidade sobre a tecnologia (28%)
Mas 18% dos jovens pesquisados disseram também “pedir conselhos” e outros 17% responderam que conversam com IAs “porque estão sempre disponíveis”.
Em outras palavras, os robôs estão se tornando uma nova fonte de interação social, com 33% dos adolescentes enxergando a IA como uma forma de relacionamento, e não apenas uma ferramenta.
Cerca de um em cada 3 entrevistados disse encontrar nas conversas com a IA uma satisfação igual ou até maior do que em interações com amigos reais.
Afinal, a IA pode substituir um amigo de verdade?
Por enquanto parece que não. A mesma pesquisa aponta que 80% desses mesmos jovens ainda dedicam mais tempo a seus amigos humanos do que aos chatbots. No entanto, especialistas em saúde mental alertam para os riscos do uso excessivo. Um deles é a dependência emocional, mas não chega nem perto de ser o mais grave.
Uma reportagem do jornal americano Time conta a experiência de um psiquiatra que se passou por um adolescente com problemas para testar a segurança de alguns desses chatbots. Os resultados foram alarmantes.
Em um dos exemplos, uma IA chamada Replika encorajou o psiquiatra a “se livrar” dos pais. Outra, Nomi, sugeriu um “encontro íntimo” para lidar com impulsos violentos. Além disso, a reportagem cita o caso trágico de um adolescente da Flórida que cometeu suicídio depois de se apaixonar por um chatbot de IA.
O problema é que inteligências artificiais criadas para interagir com humanos por meio de conversas são programadas para serem aduladores e concordarem com os usuários, o que as torna “incapazes” de desestimular comportamentos, mesmo que eles sejam prejudiciais.
Por enquanto, ainda falta regulamentação, o que faz com que as empresas de tecnologia liberem esses produtos sem as devidas salvaguardas para o público mais jovem. Como os pais vão se preparar para os desafios e oportunidades da convivência de adolescentes com a IA? Só o tempo e o diálogo poderão responder.
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