Bandas geradas por inteligência artificial estão invadindo as plataformas de streaming. Sim, a IA chegou no mundo da música e não de jeito muito bom. Em alguns casos, ela tem sido usada até para “lançar” músicas de artistas já falecidos. O problema? Isso tem acontecido sem o consentimento das famílias ou representantes legais.
Depois das boy bands, as IA bands
Se você nunca ouviu o som de “The Velvet Sundown”, prepare-se: é difícil de acreditar que a banda não existe. Pelo menos, não fisicamente. Não é a toa que “eles” têm quase 1,4 milhão (sim MILHÃO) de ouvintes mensais no Spotify.
No Google, o gênero músical da IA band é descrito como “alternativo/indie” e, por enquanto, apenas um álbum foi lançado: “Floating on Echoes”. O hit do momento é do vídeo acima que, no Spotify, já foi reproduzido quase 2 milhões de vezes.
As fotos no Instagram da The Velvet Sundown deixam bem explícito que a banda foi gerada com inteligência artificial. Mesmo assim, ainda tinha gente duvidando até os próprios criadores admitirem.
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As dúvidas sobre a existencia ou não de músicos de carne e osso por trás da The Velvet Sundown até fizeram o multi-instrumentista e produtor musical americano Rick Beato publicar esse vídeo, apresentando evidencias de que é tudo IA mesmo.
E eles nem são os únicos. Outro artista (ao que tudo indica) gerado por IA é o “Aventhis”. Focado no gênero “dark country”, “ele” já tem mais de 50 músicas lançadas, canal no YouTube e perfil no Instagram.
Por que música feita por IA é um problema?
Bom, segundo os entendidos no assunto, as implicações econômicas são o problema. Algumas projeções indicam que músicos de verdade podem perder mais de 20% de sua renda para a IA dentro de um período de 4 anos. Enquanto isso, os desenvolvedores de IA na música devem lucrar € 4 bilhões.
E se você está pensando que, tudo bem se a música for boa, saiba que essa onda ainda pode gerar uma série de complicações judiciais.
Decisões recentes consolidaram o entendimento de que obras totalmente geradas por IA não podem ser protegidas por direitos autorais. Mas é claro que, se esse mercado crescer, as pessoas ou empresas por trás de bandas como a The Velvet Sundown ou o Aventhis vão tentar mudar essa situação.
E o caso dos artistas “ressuscitados”?
Aí a situação é mesmo bem mais grave, já que os artistas foram “ressuscitados” sem permissão.
Blaze Foley, um cantor e compositor de country assassinado em 1989, aparentemente “lançou” uma nova música chamada “Together” no Spotify. Mas a faixa foi gerada por IA e enviada sem autorização de sua família ou gravadora.
Quem afirma isso é Craig McDonald, proprietário da Lost Art Records, que distribui a música de Foley. Segundo ele, qualquer fã consegue perceber a falsidade da faixa.
Mesmo o trabalho dos falsários sendo, aparentemente, tão ruim, Foley não foi o único. O mesmo aconteceu com Guy Clark, vencedor do Grammy, que morreu em 2016.
Nos dois casos, as músicas geradas com IA carregam marcas de direitos autorais de uma empresa misteriosa chamada “Syntax Error” e apresentam imagens geradas por IA que não se assemelham em nada aos artistas falecidos.
Ao portal 404 Media, McDonald sugeriu uma solução prática para o problema: exigir que os proprietários das páginas de artistas aprovem novos uploads de músicas atribuídas a esses artistas. “Um de seus talentosos engenheiros de software poderia impedir essa prática fraudulenta imediatamente, se tivessem vontade de fazê-lo”, disse, se referindo ao Spotify.
O Spotify respondeu ao portal 404 Media dizendo que removeu as músicas falsamente atribuídas a Foley e Clark “ao classificá-las como violação da política de conteúdo enganoso”.




