Você não precisa ser católico para se interessar pelo papa. Desde o Império Romano até as guerras mundiais, da Inquisição ao meio ambiente, a figura do pontífice atravessa a história como um dos cargos mais influentes do planeta — misturando fé, política, cultura e poder.
Então, sendo você católico, apostólico, romano ou alguém que não sabe nada além de que o papa é um “velhinho de branco” que aparece na sacada do Vaticano… aqui vão alguns fatos que talvez te surpreendam.
Quem foi o primeiro papa?
Sim, aquele mesmo que negou Jesus 3 vezes. Segundo a tradição cristã, ele foi escolhido por Cristo para ser a “pedra” da Igreja. Acabou morto em Roma, crucificado de cabeça para baixo.

Desde então, o papa é considerado seu sucessor direto, por isso, o cargo é chamado de Sucessor de Pedro.
E quantos papas já existiram? Oficialmente, foram 266, incluindo o papa Francisco.
Hoje, o cargo é vitalício, mas nem sempre foi tão estável assim.
Quem ficou mais tempo no Vaticano?
Pio IX, com quase 32 anos de pontificado (1846–1878).
Foi durante o seu papado que a Igreja proclamou o dogma da infalibilidade papal — a doutrina segundo a qual o papa, ao falar oficialmente em nome da Igreja sobre fé e moral, não pode errar. Isso vale apenas para declarações formais, chamadas ex cathedra, e não significa que o papa seja infalível em tudo.
Pio IX também foi o pontífice que viu o fim dos Estados Papais, transformando o Vaticano no pequeno território independente que conhecemos hoje.
E o que ficou menos tempo?
O papado mais curto da história foi o de João Paulo I, que governou a Igreja por apenas 33 dias.

Ele foi eleito em agosto de 1978 e faleceu subitamente no mês seguinte. A causa oficial da morte foi um infarto agudo do miocárdio. No entanto, sua morte repentina alimentou algumas teorias da conspiração — principalmente por ele ser visto como um papa com ideias de reforma para a Igreja Católica.
E mais uma curiosidade: em homenagem a ele, seu sucessor adotou o nome de João Paulo II que, por sua vez, viria a se tornar um dos pontífices mais longevos da história, com mais de 26 anos de pontificado — perdendo apenas para Pio IX.
No entanto, João Paulo I não detém o recorde absoluto de papado mais curto. Esse título vai para o papa Urbano VII, que governou por apenas 13 dias, em 1590.
Urbano VII foi eleito papa em 15 de setembro de 1590, mas morreu de malária antes até ser consagrado oficialmente, o que fez seu papado ser um dos mais curtos da história da Igreja.
Os papa que renunciaram e foram depostos
Sim, e a história é cheia de surpresas.
Bento XVI foi o papa que renunciou mais recentemente, em 2013. Sua decisão, inesperada, chocou o mundo, já que o cargo papal é vitalício. Ele justificou sua saída pela idade avançada e pela falta de vigor físico e espiritual para continuar no comando da Igreja. Desde então, viveu discretamente no Vaticano até sua morte em 2022.
Antes de Bento XVI, o Vaticano viveu quase 600 anos sem uma renúncia, desde Gregório XII, em 1415. Gregório deixou o cargo para pôr fim ao Grande Cisma, quando havia mais de um papa disputando a liderança da Igreja.
Mas nem sempre as renúncias foram tão pacíficas. Um exemplo é o caso do papa João XII, que foi deposto em 963 devido a escândalos de corrupção e imoralidade. Ele foi acusado de inúmeras traições e sua autoridade foi anulada por um sínodo convocado pelo imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Otão I.
Por que o papa ainda importa — mesmo para quem não é católico?
Porque o papa fala com o mundo. Ele influencia debates sobre vida e morte, família, sexualidade, justiça, guerra e paz. É ouvido por líderes políticos, organizações internacionais e bilhões de pessoas. Isso inclui o Brasil, onde os ecos do Vaticano chegam rápido às igrejas, escolas e rodas de conversa.
E enquanto a Igreja se prepara para eleger seu novo líder, vale lembrar: o trono papal não é só um símbolo religioso, é também um dos cargos mais antigos, misteriosos e politicamente relevantes da história da humanidade.




