A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) cumpre 123 mandados contra uma organização criminosa instalada na diretoria do Departamento de Água e Esgoto do município de Várzea Grande (DAE-VG). O grupo é suspeito de dar prejuízo de R$ 11,3 milhões à prefeitura.
A organização é investigada na segunda fase da Operação Gota D’Água. Foram decretadas 11 prisões preventivas e 18 ordens de suspensão do exercício da função pública.
Um vereador de Várzea Grande deve ser afastado do cargo. Ele seria um dos articuladores dos crimes investigados e estaria usando a estrutura criminosa para impulsionar sua campanha à reeleição.
Há pedido também para que 15 servidores sejam afastados de suas funções no DAE; um servidor da Câmara de Vereadores; um funcionário de uma empresa terceirizada.
A principal medida é a determinação de intervenção imediata da prefeitura na diretoria comercial do DAE, que teria sido cooptada pelo grupo criminoso. A Justiça determinou que os servidores afastados não sejam substituídos nem pela prefeitura nem pela Câmara dos Vereadores.
Foi determinado o sequestro de 6 imóveis e 26 veículos, além do bloqueio de valores das contas dos 22 investigados no valor do prejuízo estimado.
Propina e campanha
A Deccor identificou a cobrança por fora de servidores públicos para a execução de serviços da DAE. O serviço não oficial passaria pela exclusão de débitos e pela redução de valores em faturas. O prejuízo à prefeitura estaria em R$ 11,3 milhões.
Segundo a Polícia Civil, ao que tudo indica, os investigados cobravam propina em qualquer ocasião que fosse possível, “uma significativa parte dos servidores não hesitava em receber os valores ilegais”.
Por exemplo, foram identificadas diversas situações em que foi dificultado o acesso da população à ligação de água, com problemas artificialmente criados, além de diversas situações de cobrança de propina.
Alguns servidores realizavam o trabalho rotineiro apenas mediante pagamento de propina. E a situação era de conhecimento do chefe do setor, que é apontado como um dos líderes da organização criminosa.
Segundo a Deccor, o vereador investigado tinha como principal função exercer pressão política para fazer valer os objetivos do grupo criminoso. O esquema teria levado ao aparelhamento da diretoria comercial do DAE para exploração política pelo vereador. Diversos servidores são a favor da campanha à reeleição na campanha atual.




