Uma ocorrência de tentativa de invasão de terras em uma fazenda em Novo São Joaquim (475 km de Cuiabá), no final de semana, acabou com a prisão de 5 pessoas, sendo 3 sargentos militares, um reformado do Exército e dois da Polícia, um reformado e um na ativa.
O caso teve início na madrugada de ontem, por volta das 5 horas, quando a “Chácara do Cabral”, localizada no setor Brejão, em Novo São Joaquim, foi invadida por 4 homens armados, que ameaçaram os trabalhadores da propriedade e deixaram um novo caseiro no local, afirmando que a terra seria de outra pessoa.
Após terem tomado posse da terra, o grupo criminoso saiu do local deixando o novo caseiro como responsável pela segurança da propriedade.
Disputa de terras
Após ser acionada e informada sobre o ocorrido, a Polícia Militar percebeu que o caso, na verdade, havia começado na sexta-feira (21).
Segundo o boletim de ocorrência, um homem e uma mulher estão em uma disputa pela posse da propriedade e a mulher havia solicitado apoio da PM na sexta-feira. Porém, foi informada que o caso deveria ser resolvido judicialmente, por se trabalhar de um conflito de posses.
Diante disso, foi registrado um boletim de ocorrência.
Buscas
Logo depois de ser acionada ontem (23), a PM recebeu denúncias de que a camionete utilizada no crime, uma Hilux, estava a caminho de Barra do Garças (520 km de Cuiabá) e diversas equipes foram mobilizadas para localizar o veículo.
O carro foi encontrado em uma estrada vicinal chamada Estrada da Voadeira, sentido ao Bairro Palmares, em Barra do Garças. No veículo, foram encontrados o motorista, de 47 anos, e 3 militares, um sargento reformado do Exército, de 54 anos, um sargento reformado da PM, de 54 anos, e um sargento na ativa da PM, 45 anos.
Os 4 foram revistados e sargento reformado da PM estava com uma pistola 380 carregada e municiada com 15 munições intactas. No bolso da camisa dele também foi encontrado um carregador com 15 munições intactas. No entanto, ele não possui porte de arma de fogo, por ter sido reformado por doença psíquica.
Dentro da camionete foram encontradas outras armas, pertencentes aos outros militares.
Questionado, o motorista do veículo disse que a mulher envolvida na disputa de terras teria pagado R$ 5 mil para que ele fosse até a fazenda, levasse o novo caseiro e o deixasse lá. Ele contou que foi ao local com os militares e não mencionou quanto pagaria para eles.
Depois da prisão dos 4, a Polícia Militar foi até a fazenda e deteve também o caseiro deixado no local pelos suspeitos, de 47 anos. Os funcionários da fazenda disseram ter sido expulsos do local sob ameaças e que era claro que o motorista do veículo dava as ordens e os militares armados agiam para garantir que as vítimas obedecessem o que lhes era imposto.
Todos foram levados para a delegacia, mas somente o caseiro foi algemado, por receio de fuga, visto que este já foi lutador profissional. Foi encontrada uma porção de droga com ele.
O caso foi registrado como ameça, formação de quadrilha ou bando armado, uso ilícito de drogas, roubo e esbulho possessório.
O que disse a Polícia Militar?
Em nota, o 5º Comando Regional da Polícia Militar ressaltou à população que a Polícia Militar do Estado de Mato Grosso não compactua com qualquer tipo de ação ilícita entre seus integrantes.
“O caso foi tratado como uma ocorrência comum, seguindo todos os procedimentos legais, com a prisão dos suspeitos e a apreensão dos materiais ilícitos.
Por se tratar de um crime de natureza comum, cometido sem relação com a função dos policiais presos, a apuração será conduzida pela Polícia Judiciária Civil. Entretanto, será instaurado um procedimento interno para apurar também na esfera militar a conduta dos envolvidos.
A Polícia Militar continua dedicada a proteger a segurança pública e a integridade da comunidade, agindo com profissionalismo, ética, transparência e justiça“, disse a PM.




