A federação PT, PV e PCdoB em Mato Grosso tem alguns meses para resolver um problema criado pela formalização do grupo, na eleição de 2022. Falta consenso entre os partidos de quem deve ser o candidato escolhido.
O atrito já tinha aparecido na articulação para o governo no ano passado, mas envolvia indiretamente líderes da federação, como o deputado Lúdio Cabral (PT) e o vice-prefeito José Roberto Stopa (PV). Agora, eles próprios são pré-candidatos a prefeito de Cuiabá.
As intenções de disputar a prefeitura reacenderam o desentendimento. Lúdio e Stopa têm mostrado indisposição um com o outro nas últimas semanas. O deputado, sem citar o nome do vice-prefeito, disse que a federação deve escolher um candidato que mude o modelo da gestão atual em Cuiabá.
Stopa está no grupo do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) desde o primeiro mandato, e o no segundo assumiu a função de vice-prefeito, acumulada à de secretário.
Os mandatos de Emanuel Pinheiro, além de problemas técnicos, são o maior alvo de operações policiais da história política de Cuiabá. Até o momento são 17 operações com foco em contratos e serviços da Saúde, área do médico sanitarista Lúdio Cabral.
A resposta de Stopa às sugestões do concorrente foi lembrar que Lúdio recebeu apoio por duas eleições seguidas do ex-governador Silval Barbosa (sem partido), envolvido em escândalos de corrupção.
Lúdio Cabral e Silval Barbosa foram aliados nas eleições de 2012 e 2014. Na primeira, Lúdio concorreu a prefeito de Cuiabá e perdeu para Mauro Mendes, e na segunda disputou o governo e foi derrotado pelo então procurador da República, Pedro Taques.
Tempo à porta
O mal-estar em crescimento terá que ser amainado e controlado em pouco tempo. Os partidos pretendem ter candidatos definidos até o início do próximo ano, para entrar na campanha, a partir de julho, com nomes consolidados.
O consenso tem reflexo direto na concorrência com candidatos com outros partidos. Se não for alcançado pelos políticos nos estados e municípios, a definição de candidato será dada pela federação no nível nacional.
O candidato da federação em Cuiabá seria imposto assim como a união entre PT, PV e PCdoB foi determinada de Brasília. A consequência disso pode ser um político de fora da campanha ou até a declaração de apoio para candidato adversário.
O presidente estadual do PT, deputado estadual Valdir Barranco, enxergou a situação. Ele disse nesta semana que espera uma mudança de postura de Lúdio Cabral, caso seja o escolhido do partido para concorrer em Cuiabá.
“Em sendo Lúdio o candidato da federação, ele terá que ter um diálogo educado. Há muito espaço para chegarmos ao segundo turno. Stopa está muito envolvido no compromisso da federação, e no que depender da direção do PT vamos agir para que não haja racha”, afirmou.