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O que as telas estão fazendo com nosso sono

iamgem de um celular na mão de uma pessoa
Foto de Maria Augusta Ribeiro
Maria Augusta Ribeiro

Você dorme bem? Seus filhos, pais e cônjuges dormem bem? Se respondeu não a qualquer uma dessas perguntas é bom reduzir o seu tempo de exposição às telas, sejam elas smartphone, tablets, PCs ou TV.

Imagine que seu cérebro é um supermercado em dia de liquidação. Após a abertura das portas, compradores frenéticos atacam as prateleiras, mercadorias são colocadas no carrinho, filas nos caixas, detritos pelo chão e tudo é caótico.

Após o fechamento das portas, clientes vão embora e a calma retorna. Assim os funcionários fecham os caixas, repõem o estoque, limpam a sujeira, reparam os danos e se preparam para a abertura no dia seguinte.

Nosso organismo é um pouco como um supermercado. Durante o dia os funcionários neurais se apressam para as atividades do dia e depois do fechamento, quando vem o sono, o cérebro está oportunamente liberado para se dedicar à manutenção do seu corpo.

Então, alguém que abre seu supermercado todo santo dia sem nenhuma noite de calmaria para repor seus estoques não vai conseguir vender e vai falir. Trágico, mas é a mais pura verdade: se não dormir o seu corpo vai colapsar.

Há mais de 50 anos se estudam os impactos das telas no sono. Desde os primórdios da TV em preto e branco, telas e o dormir são temas de descobertas assustadoras sobre nossa saúde. 

De fato, o excesso de estímulos, de luz e de sons faz com que a hora de dormir seja atrasada.

Quem dorme menos é obeso ou esta acima do peso, tem riscos cardiovasculares, imunidade baixa e dores de cabeça.

Já os impactos cognitivos se referem à falta de atenção, à falta de memória, e está fadado a ser menos produtivo, seja no trabalho ou na escola.

Com relação a emoções, quem dorme menos é mais agressivo, é impulsivo e tem desordem emocional, tal como ansiedade.

Agora, quem tem crianças e adolescentes esses impactos são multiplicados, já que uma pessoa em formação que é afetada pela falta de sono será um adulto com o cérebro com falta de memória. 

Não é incomum ver crianças usuárias de telas com dificuldade de retenção de conteúdo, transtornos de aprendizagem e depressão. Athena Chavarria, que trabalhou no Facebook disse: “Estou convencida de que o diabo mora em nosso telefone e está destruindo nossos filhos”. Exagerada ou não, a executiva coloca em cheque o que um pequeno dispositivo pode fazer com a nossa saúde e de nossos pares.

Diante desse cenário de caos em que dormimos pouco, estamos perdendo nossa memória e nossas crianças estão sendo forjadas sobre cérebros mutilados, o que fazer?

A reposta está na higiene do sono. As chamadas práticas comportamentais que ajudam na indução do sono são de fácil aplicação, qualquer um pode fazer, mas exigem disciplina.

E a primeira regra da higiene do sono é: cama foi feita para sexo e dormir. Se você não esta fazendo nenhuma dessas duas coisas, saia agora mesmo.

Dois: zero telas pelo menos 1 hora antes de dormir. E isso significa que nada de telas nos quartos, nada de telas na cama e nada de telas nas mãos dos parceiros.

Ambientes adequados para o sono são silenciosos, cheirosos e com temperatura agradável. Exposição ao sol e acordar e dormir no mesmo horário também são excelentes para regular seu sono.

Vale ressaltar que as notificações devem ficar no silencioso e aparelhos de smartphone virados para baixo. De preferencia até fora do quarto enquanto carregam. Ah! Mas e se for emergência? Vão ligar para você, não tenha medo de deixar esse aparelhinho tão pequeno perturbar seu sono. Boa Noite!

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e netnografia no Belicosa.com.br 

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