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Obras de mobilidade urbana em Cuiabá: legado ou problema para o futuro?

Foto de André Souza
André Souza

O processo de urbanização no Brasil, a partir da década de 50, implicou no surgimento de grandes problemas de mobilidade urbana. O tema é uma das principais questões em cidades de todo o mundo, já que também interfere na qualidade de vida da população.

Em Cuiabá, esse movimento reflete no aumento da frota de veículos em circulação nas ruas. Quando se analisa o crescimento populacional da Capital nos últimos 50 anos, percebe-se uma das origens dos problemas da (i)mobilidade urbana.

Segundo o IBGE, Cuiabá passou de 100 mil para 608 mil habitantes entre 1970 e 2018. A mobilidade urbana, porém, não conseguiu acompanhar de forma equilibrada esse avanço.

Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) apontam que, em 2018, Cuiabá tinha uma frota de 423.644 veículos de vários tipos. Isso significa que há, em média, 1,43 habitantes por veículo.

Trincheira da Jurumirim (Foto: Luiz Alves / Prefeitura de Cuiabá)

O índice, segundo a arquiteta e urbanista e mestre em Geografia pela UFMT Tânia Matos, é alto se comparado a outras cidades do Brasil. E acaba é potencializado por fatores como a precarização do transporte coletivo e dificuldades de locomoção por meios não motorizados.

Resultado? Aumento do fluxo de veículos nas vias públicas.

“A solução para os problemas de mobilidade urbana passa por ações que desestimulem o uso de veículos particulares e estimule o uso do transporte público coletivo. Porém, só o sistema de transporte coletivo rodoviário existente não comporta mais a demanda por transporte público”, pondera.

Para Tânia, a conclusão das obras do VLT ou a implantação do BRT são duas das opções para amenizar os problemas.

Legado ou problema para o futuro?

Problemas em obras físicas e as medidas de fluidez no trânsito entram no pacote da mobilidade urbana ou nos problemas do tema, segundo o professor de Engenharia Civil da UFMT Luís Miguel de Miranda.

A Avenida Miguel Sutil, herança do início do processo de urbanização, é um dos exemplos citados por ele. Construída em 1970, quando a população era duas vezes e meia menor, a “Perimetral” não atende mais a fluidez que a cidade precisa em 2021.

Avenida Miguel Sutil (Foto: Tony Ribeiro)

“Temos um produto antigo dentro de um sítio moderno, digamos assim. As obras de mobilidade feitas na Perimetral para a Copa do Mundo melhoraram bastante, mas não foram suficientes”, afirma.

O professor aponta trechos onde há formação de trânsito na Miguel Sutil: a interseção com o bairro Pedregal, o acesso ao Centro de Eventos do Pantanal, a Rotatória do Círculo Militar e o cruzamento com o bairro Santa Rosa. “São quatro problemas físicos que é preciso dar solução”, pontua.

Trincheira na saída para a Guia (Foto: Reprodução)

Viadutos

Nos últimos anos, a aposta para modernização e fluidez do trânsito em Cuiabá tem sido a construção de viadutos e trincheiras. Espelhada em cidades que não são referência no assunto, as obras talvez não sejam as melhores saídas.

“Todo mundo sabe que é um viaduto mal feito, mal projetado, mal construído e mal operado. Isso é uma obra que pode dar problema o tempo todo na medida em que a metrópole for se expandido”, cita Luís.

Trânsito na rotatória do viaduto da UFMT (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Outro problema apontado é o viaduto no entroncamento da MT-040 com a Avenida Fernando Corrêa. A obra é uma das mais problemáticas. Segundo o professor, o governo e a prefeitura se negam a construir um acesso lateral. A falta já ocasionou acidente de trânsito.

“Aquilo já matou três em cima do viaduto e vai matar mais. Tanto a prefeitura quanto o governo poderiam contribuir com soluções. Obviamente, há problemas de desapropriação, o que torna a situação mais séria. Porém, é um crime deixar do jeito que está”, afirma.

E as soluções?

A pedido da reportagem, o professor da UFMT apontou algumas soluções que podem ser feitas para resolver parte dos problemas citados e trazer fluidez ao trânsito em Cuiabá.

Rotatória do Círculo Militar (Foto: Davi Vale/Prefeitura)
  • Círculo Militar: “Nesse ponto, a solução mais fácil seria fazer uma trincheira. Ali são terrenos institucionais em nível federal, estadual e municipal que são fáceis de serem negociados”.
  • Intersecção da Miguel Sutil com o Pedregal: “O interessante seria fazer um viaduto de saída da avenida em direção ao bairro, mas a obra envolveria um volume de desapropriação muito grande, frutos da ocupação desordenada da área”.
  • Centro de Eventos do Pantanal: “A construção de um viaduto também seria uma das soluções para esse ponto que tem retenção de trânsito que chega até o viaduto do Despraiado. Também são terrenos institucionais e não haveria maiores dificuldades”.

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