ConsumoDestaquesEspecialMato GrossoNegóciosSeleção dos Editores

Sem título de posse: pequenos agricultores produzem 70% do alimento em MT

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

Os pequenos agricultores respondem por mais da metade dos alimentos que chegam à mesa dos mato-grossenses e, mesmo assim, enfrentam o problema de regularização fundiária. Hoje, a grande maioria não tem o título de propriedade da terra que cultivam. 

Levantamento da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) mostra que a produção da agricultura familiar é diversificada e soma 70% daquilo que é comercializado em feiras, supermercados e estabelecimentos afins. 

Até o fim do ano passado, os pequenos respondiam por 33% da produção de arroz, 69% de feijão, 57% de leite, 16% de ovos, 29% de carnes bovinas, 51% de aves e 59% de suínos. 

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“A agricultura familiar, explorada e administrada com o trabalho da própria família, representa um potencial importante na produção dos alimentos básicos que são ofertados à mesa da população mato-grossense. Porém, demanda do Estado uma atuação forte para prover infraestrutura, pesquisa, assistência técnica, programas de fomento e outras políticas públicas necessárias ao desenvolvimento”, pontua o órgão. 

O Censo Agro 2017 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ano da última atualização da pesquisa, mostra que Mato Grosso possui uma área agrícola de 54.922.850 milhões de hectares, que abrange 118.679 mil estabelecimentos agropecuários.  

Desse total, 104.346 mil são ocupados por agricultores familiares (88%) e 14.333 são por agricultores empresariais, médios e grandes.  

Dificuldades de legalidade 

Contudo, o tamanho das atividades dos pequenos agricultores não reflete em tranquilidade para o produtor quanto à titularidade da terra. Os dados do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) mostram também que um número reduzido tem a documentação que comprovam a posse. 

A baixa resolução pode ser medida pelos títulos aprovados e concedidos em 2019 e 2020. Até setembro, 265 pequenos produtores receberam o título rural e 3.382 títulos urbanos. 

(Foto: Reprodução)

Coordenador da Empaer, o engenheiro agrônomo Almir de Souza Ferro diz que a falta de título reflete em outras atividades dos produtores, como nas dificuldades para se conseguir empréstimo em instituições financeiras. 

“A posse terra é garantia, tanto de que o produtor pode produzir tranquilo em pedaço de chão, quanto garantia que o banco exige para ter segurança na hora de liberar o empréstimo. Se não há o título de terra, falta empréstimo, e como a ajuda do governo ainda é tímida, a situação se complica”, pontua. 

Por reação em cadeia, os empregos na agricultura vão se extinguindo. Conforme a Empaer, a produção em nível familiar utiliza em média 15 trabalhadores por dia na exploração de 100 hectares. Esse contingente é quase oito vezes a mais que o utilizado na agricultura empresarial. 

Notícias em primeira mão

Junte-se à nossa comunidade exclusiva no Whatsapp e seja notificado sobre os furos de reportagem e análises profundas antes de todos.

Últimas Notícias

vacina
Geral

Saúde monitora meningite em MT e descarta transmissão comunitária

Com 8 mortes confirmadas até abril, SES reforça importância da vacinação e alerta para sintomas como rigidez na nuca e febre alta
A PropósitoEleições 2026

WF quer apoio de Flávio Bolsonaro para Janaina como 2º voto ao Senado

Estratégia segue alinhamento nacional entre PL e MDB
Crônicas Policiais

Mulher de 37 anos some em área de garimpo no interior de MT

Resgates seguem desde segunda-feira, mas sem pistas da vítima
Geral

IPhCO 2026: Olimpíada de Física foge do tradicional e aposta em ferramentas digitais

Estudantes são desafiados a resolver problemas por meio de pesquisa e interpretação de pistas; participação é gratuita e totalmente on-line
29 de abril de 2026 13:26