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Perdas para MT e preocupação com o futuro: demissão de Moro repercute entre a bancada federal

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Vinicius Bruno

O pedido de demissão de Sérgio Moro pegou muitos parlamentares mato-grossenses de surpresa. A sensação agora é de expectativa em relação quem substituirá o ex-juiz da Lava Jato, no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Coordenador da bancada federal de Mato Grosso, o deputado Nery Geller (PP) afirmou que prefere permanecer neutro diante desta situação e aguardar como o presidente Jair Bolsonaro vai se comportar daqui para frente.

Bolsonaro anunciou que fará um pronunciamento oficial às 17h (horário de Brasília).

“Eu vou manter a cautela. O presidente Bolsonaro precisa montar uma equipe que seja coesa e que trabalhe pela convergência. É uma grande perda a saída do Moro. Vamos esperar como o presidente vai agir e ver quem ele vai colocar para comandar a Polícia Federal”.

Geller também ponderou que, se o presidente não tirar a autonomia da PF, “bola pra frente e vida que segue”. Mas ressaltou considerar inadmissível qualquer influência política na instituição. Para ele, o órgão não admitiria isso.

O deputado Emanuelzinho (PTB) afirmou que o dever da Câmara Federal, agora, é acompanhar de perto a independência da PF e de outras instituições. Por outro lado, avaliou como negativa a saída de Moro uma semana depois da demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“É temerária a troca de dois dos principais ministros num período de crise. Não é sinal de algo positivo. No entanto, espero que o próximo ministro da Justiça traga bons frutos para a nação”, pontou.

Oposição cobra explicações

A deputada federal Rosa Neide (PT) publicou nota pedindo que Moro relate as motivações do presidente ao tentar “interferir politicamente” – conforme afirmado pelo ministro em pronunciamento na manhã desta sexta-feira (24) – na Polícia Federal.

“Os relatos do ministro em sua coletiva de imprensa deixam claro, além das interferências políticas e crimes potencialmente cometidos pelo presidente, que ele, o próprio ministro prevaricou ao não relatar e denunciar claramente quais são as causas das sucessivas tentativas de interferência do presidente sobre a Polícia Federal”.

Rosa Neide afirmou ainda que Sérgio Moro “interferiu ilegalmente nas eleições de 2018, perseguindo o PT e o ex-presidente Lula para facilitar a eleição de Bolsonaro”, e que o cargo de ministro da Justiça teria sido uma “recompensa”.

“A autonomia da Polícia Federal e das instituições de controle e enfrentamento à corrupção foram conquistas dos governos do PT e, como o relato de Moro, a destruição dessas instituições foi encomendada por Bolsonaro e aceita até aqui, por Moro”, disse a deputada.

Rosa Neide afirmou também que Bolsonaro quer “usar a PF para salvar a si mesmo, seus filhos e seus apoiadores criminosos”.

“Contava com o silêncio de Sérgio Moro durante todo este tempo, agora precisamos saber muito mais, já que o ex-juiz parcial e agora ex-ministro prometeu falar”, pontuou.

Deputada federal Rosa Neide (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Perdas para Mato Grosso

No Senado, a preocupação dos representantes de Mato Grosso são os possíveis reflexos da saída de Sérgio Moro em ações que vinham sendo desenvolvidas no Estado. Em nota, o senador Wellington Fagundes (PL) citou investimentos na segurança da fronteira e o trabalho integrado entre as Polícias Federal e Rodoviária Federal com as Militar e Civil.

“Trata-se, portanto, de uma grande perda para nosso Estado. Fica nossa expectativa de que o governo mantenha a política de ação desenvolvida de combate aos crimes transnacionais”, pontuou Fagundes, que é relator do orçamento de Justiça e Defesa.

Já Carlos Fávaro (PSD), recém empossado na vaga que foi Selma Arruda (Podemos), disse esperar que as denúncias feitas pelo ex-ministro não se confirmem, caso contrário, na avaliação dele, seria um sinal de que a democracia brasileira está em retrocesso.

“Temos que manter uma Polícia Federal independente e sólida no combate à violência e aos crimes de corrupção. É isso que nossa sociedade espera dos governantes”, afirmou, pontuando ter sido “belíssimo” o trabalho de Moro no combate à corrupção.

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