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Médicas avaliam projeção de platô de contágio e alertam para medidas de proteção

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Reinaldo Fernandes

Os anúncios de flexibilização das medidas de isolamento feitos nesta semana pelo governo de Mato Grosso e pela Prefeitura de Cuiabá chamaram a atenção para a avaliação do contágio do novo coronavírus no estado.  

Em parte, as modificações são sustentadas por uma análise de que o histórico da covid-19 entrará uma nova etapa nas próximas semanas. Esse fator pode ser ilustrado pela informação divulgada pelo prefeito Emanuel Pinheiro, na live de segunda-feira (20), de que o dia 10 de maio poderá ser a data de mudança para Cuiabá. 

“As organizações de saúde, incluindo o Ministério da Saúde, apontam em seus estudos que 49, 50 dias após a primeira infecção confirmada marca um período de virada no histórico do vírus, por isso que estou mantendo algumas atividades suspensas até essa data”, disse. 

Platô

Especialistas em saúde ouvidos pelo LIVRE confirmam a projeção de estudos nos países que já passaram pelo período de pico de casos positivos, de que o platô do contágio (a fase em que a incidência se estabiliza para começar a cair) ocorre por volta do dia 50 após a primeira infecção. 

Contudo, alertam que, assim como não é possível transferir medidas de uma região para outra, os platôs não têm um modelo fixo, eles ocorrem em momentos diferentes. 

“Mais ou menos em torno desse dia 50 após o primeiro caso se atingiria a situação de pico e então viria o platô. Mas, isso é uma projeção, são possibilidades, acho que depende muito de como se dá a projeção da curva”, diz a médica Márcia Hueb, coordenadora das ações contra o coronavírus no Hospital Júlio Müller, em Cuiabá. 

(Foto: Ednilson Aguiar / O LIVRE) Especialistas afirmam que momento de estabilização de novos casos ocorrerá em momentos diferentes para cada município

A médica afirma que a projeção de platô é baseada tanto no número de casos graves da doença, quantos no de casos leves. Os estudos apontam, segundo a infectologista, que 80% das infecções ocorreram de maneira discreta, ou seja, os pacientes terão sintomas considerados fracos da covid-19, ou passarão pelo contágio sem apresentar sintomas. 

“Quando se atinge o platô, nós já temos um elevado percentual de pessoas que se infectaram, a disseminação fica menor porque muita gente já fica imune. Isso significa dizer o seguinte: vamos continuar a ter infecções novas, algumas pessoas vão precisar se internar. Aí, sim seria a hora para flexibilizar”.  

A projeção de Mato Grosso 

A doutora Márcia Hueb afirma que, no quadro epidemiológico de Mato Grosso, essas datas de platô são diferentes para cada município, e começarão a ficar mais claras daqui a três semanas. 

“Nas próximas duas semanas nós vamos consolidar melhor essa subida, se de fato vamos continuar numa muito lenta, ou se vamos começar a ter uma subida um pouco mais rápida; daqui duas ou três semanas, quando essa flexibilização [do isolamento] estiver mais presente”, explica. 

Cidades 

A gerente de Vigilância Sanitária de Cuiabá, Flávia Guimarães, diz que na Capital, essa definição depende do comportamento do vírus para uma faixa econômica mais baixa da população. 

Segundo ela, apesar de casos espalhados por diversos bairros, eles continuam, na sua maioria, restrito a pessoas com melhor condição de manter o isolamento. 

“Querendo ou não, sabemos que nos bairros mais periféricos existem mais pessoas morando e forma de convivência é diferente das pessoas que estão em bairros mais centrais e com condições econômicas mais favoráveis. Então, ainda precisamos saber como a difusão do vírus vai se comportar agora, quando deverá atingir as primeiras regiões”, comenta.

Histórico

Conforme o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde (SES), 28 municípios têm casos confirmados da covid-19, 34 dias após a confirmação da primeira infecção pela Vigilância Estadual. 

O histórico dos boletins mostra uma difusão do vírus semelhante a outros países e cidades. Os primeiros casos foram confirmados em municípios com maior circulação pessoas (Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, por exemplo) até chegar aos municípios mais distantes e menores, como União do Sul, Pontal do Araguaia e Ipiranga do Norte. 

Já os óbitos tem caminho menos previsto, como Cuiabá, Rondonópolis (2), e Barra dos Garças. Até o momento, a SES confirmou oito mortes. 

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