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Pobreza extrema: 200 mil vivem com menos de R$ 85 por mês em MT

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Caroline Rodrigues

Quase 200 mil pessoas vivem em situação de pobreza em Mato Grosso, segundo dados do Cadastro Único do governo federal. Do total, 119.757 estão em situação extrema de vulnerabilidade alimentar, ou seja, têm renda familiar per capita mensal de R$ 89.

Além da renda, o índice leva em consideração o acesso a saneamento básico, água tratada e grau de instrução dos membros da família.

Conforme o Mapeamento da Insegurança Alimentar e Nutricional (Insan), divulgado no site do Ministério da Cidadania, os municípios em situação mais crítica são Comodoro, Ribeirão Cascalheira, Rosário Oeste e Porto Esperidião.

O superintendente de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Socio-produtivo da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, Natalício Menezes, explica que devem ser acrescentados na lista Juara e Guarantã do Norte.

Ambas tiveram a situação diagnosticada por números atualizados do governo de Mato Grosso e se encaixam no perfil de extrema pobreza.

Vulnerabilidade

Menezes relata que normalmente os números são impactados pela presença dos Grupos Populacionais e Tradicionais Específicos (GPTEs), quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas e agricultores familiares.

“São pessoas que, além das questões de vulnerabilidade, têm dinâmicas de vida que dificultam a atualização dos cadastros pelos agentes, o que as retira dos programas assistências”.

Comodoro, por exemplo, explica o superintendente, recebeu muitos assentamentos e tem terras indígenas. Um público que possui uma vulnerabilidade histórica.

Com relação aos produtores rurais, tantos os assentados com os acampados carecem de suporte e muitas vezes, mesmo com a terra, não conseguem se inserir no sistema sócio-produtivo.

Já na região do aglomerado urbano de Cuiabá e Várzea Grande, Menezes descreve que normalmente a pobreza está concentrada em bolsões.

Na Capital, esses pontos estão nos bairros Jardim Florianópolis, Jardim União e em algumas ocupações nas imediações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No mapeamento Insan, Várzea Grande aparece com alto nível de vulnerabilidade alimentar e Cuiabá com médio risco.

O 1° do ranking

Assistente administrativo da Prefeitura de Comodoro, Dacionei Junno Lima Pereira afirma que os números do Cadastro Único foram afetados por problemas administrativos.

Ele explica que muitas pessoas não foram até as unidades para fazer a atualização dos dados cadastrais e nem os acompanhamentos exigidos pelos programas sociais, como os relacionados à saúde básica.

Desta forma, segundo Pereira, a prefeitura vai atuar de forma mais ativa nos próximos meses para regularizar a situação dos munícipes, fazer as atualizações necessárias e garantir a retomada do Bolsa Família para quem o perdeu.

Aldeias

O coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de Cuiabá, Argon Norberto Hamamm, assegura que a situação dos índios está sob controle e o caso será revertido até o final do ano.

Ele relata que as reservas locais são da etnia Nhambiquara e até o ano passado, eram assistidas pelo Dsei de Rondônia.

Isso prejudicava os indígenas, uma vez que a sede ficava longe e era muito difícil conseguir apoio, quando necessário.

A distância também era obstáculo para atuação articulada com o município, o que resultou nos números apresentados no mapeamento.

Neste ano, a região passou a ter a cobertura do Dsei Cuiabá a pedido dos indígenas e iniciou-se, segundo o coordenador, uma agenda da família com o suporte individualizado.

“Na aldeia, eles têm uma dinâmica diferente. Mas temos todos catalogados e estamos suplementando as crianças e grávidas abaixo do peso. Também fazemos os acompanhamentos relativos à assistência da saúde básica”.

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