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Como vereador, Bolsonaro apresentou projeto de transporte gratuito para tropas

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A figura do deputado histriônico e politicamente incorreto, sempre pronto a defender a ditadura militar e posições conservadoras foi sendo criada por Jair Bolsonaro ao longo de sua vida pública e de muitos mandatos parlamentares. O discurso foi azeitado ao longo dos últimos 30 anos.

Bolsonaro surgiu como figura pública no fim dos anos 1980, militando contra os baixos soldos pagos à corporação. A postura rendeu-lhe alguns dias de prisão no Exército e abriu caminho para sua entrada na política. Na reserva, foi eleito vereador do Rio em 1988, pelo Partido Democrata Cristão (PDC). Foram apenas dois anos na Câmara Municipal; no fim de 1990 ele se elegeu pela primeira vez deputado federal.

A passagem pelo Legislativo foi discreta. Um levantamento feito junto aos arquivos da Câmara revela um vereador conservador, pronto a defender os militares, mas pouco participativo nas plenárias, geralmente calado.

Naquela época, a figura mais controversa da câmara era Wilson Leite Passos (1926-2016). Era um político de extrema-direita, autor do pedido de impeachment de Getúlio Vargas, em 1954, partidário do golpe militar de 1964 e criador do Serviço Municipal da Eugenia, que funcionou de 1956 a 1975.

Passos, que era do PDS, protagonizou uma das maiores polêmicas daqueles dois anos, quando debateu em plenário que quantidade de “cenas de sexo” definiria um filme como pornográfico.

Transporte

Ao longo dos dois anos em que foi vereador, Jair Bolsonaro apresentou apenas sete projetos de lei, todos eles em 1989. Entre os projetos, destacam-se um que autorizava o transporte gratuito de militares em ônibus urbanos e outro que regulava o acompanhamento de doentes terminais e idosos por familiares na rede municipal hospitalar.

O vereador fez pouquíssimos discursos em plenário. Num deles, reclamou de uma nota publicada pelo jornal O Dia, que o acusava de registrar o discurso de colegas vereadores com ataques às Forças Armadas para mandar para os militares.

Bolsonaro negou a acusação, lembrando que as autoridades tinham acesso livre aos pronunciamentos da Câmara, sempre registrados no Diário Oficial da cidade. “E, logicamente, eu não me prestaria a um serviço banal de recortar jornais para entregar aos superiores”, afirmou na época.

Entre as poucas moções e indicações propostas pelo vereador, estão coisas simples: o conserto do asfalto de uma rua, a regularização de uma determinada linha de ônibus, a recuperação do calçamento de uma avenida e a instalação de um sinal de trânsito.

Se 1989 foi um ano tranquilo para Jair Bolsonaro na Câmara, o seguinte foi mais calmo ainda. Voltado já para a eleição para deputado federal, sua participação como vereador foi mínima. Não apresentou nenhum novo projeto de lei.

Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre o seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2014, foi o deputado federal mais bem votado no Estado do Rio, com o apoio de 6% do eleitorado (cerca de 464 mil votos). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Com Agência Estado)

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