18 de abril de 2026 00:15
Cidades

Nem cemitério, nem crematório: saiba como doar seu corpo para estudo científico

Foto de Julia Oviedo
Julia Oviedo

Céu ou inferno? Enterro ou cremação? Você já pensou para onde vai após morrer? Pensar na morte não é um passatempo dos mais atrativos, mas o fato é que muita gente não sabe que ao morrer é possível doar seu corpo em razão de um bem para quem ficou: o estudo científico. E a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) alerta: faltam doadores nessas terras.

Quem afirma é o professor de Anatomia do curso de Medicina da UFMT, Flávio Silva Tampelini. Nos últimos cinco anos, nenhuma doação foi destinada à universidade mato-grossense. A falta de doadores não é exclusividade de Cuiabá, pois a realidade é a mesma em todo o país.

Na Universidade Federal de Rondônia, os futuros médicos possuem apenas um cadáver para os estudos. Na UFMT, a situação é um pouco melhor: uma média de 10 corpos, mas alguns com 20 ou 30 anos de uso.

Cadáveres inteiros, ossos e outras partes do corpo humano são extremamente necessárias para o estudo e produção científica. No caso da Federal de Mato Grosso, além dos alunos de Medicina, os de Enfermagem, Nutrição, Educação Física, Farmácia e Biomedicina – sendo estes últimos dois em campi do interior – precisam de material humano para aprender as profissões.

Na falta de doadores, a universidade trabalha em parceria com o Instituto Médico Legal (IML), onde a maioria dos cadáveres que chegam são de pessoas não reconhecidas por familiares.

“A pessoa morre, ninguém reconhece, passa algum tempo e eles mandam para a universidade”, conta Tampelini.

Todo o procedimento para que o corpo seja doado para os estudos científicos, porém, dura alguns anos. E, mesmo depois de doados, a universidade precisa deixar o cadáver guardado por pelo menos um ano antes da utilização.

Alunos do curso de Medicina da UFMT precisam de material humano para o estudo mais prático (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

E a conservação?

A melhor forma de conservar um cadáver ainda é o formol, que pode manter o corpo intacto por tempo indeterminado, segundo Tampelini. Entretanto, a substância é proibida em universidades, o que fez a UFMT optar pela conservação de corpos com glicerina, álcool e até mesmo sal grosso.

Segundo Tampelini, a conservação nesses outros casos não é a mesma que com o formol. Com o método de conservação com glicerina, por exemplo, os corpos tendem a ficar mais escuros e com a aparência menos conservada. A média de duração é de 20 a 30 anos.

Cultura da doação

A única doação que chegou até a universidade foi a de um médico rondonopolitano, que ainda em vida resolveu doar seu corpo para o estudo acadêmico. Mas essa não é uma realidade encontrada no país.

“Ainda é muito difícil falar sobre isso. A sociedade não aceita esse tipo de conversa. Existe um tabu muito grande quando se fala em doar seu corpo para estudo. Não é a realidade do país”, pontua Tampelini, que acrescenta que em países como os Estados Unidos as universidades chegam a receber cerca de 250 cadáveres anualmente.

Quer ser um doador?

Se você se sentiu encorajado, o procedimento não é tão complicado. É necessário fazer uma declaração de doação assinada com mais duas testemunhas e registrada em cartório. Vale lembrar que é importante indicar para qual instituição você deseja fazer a doação.

Para que o destino seja certo, a família também tem que respeitar a vontade do futuro defunto. “Se a família não autorizar, mesmo com o documento assinado pelo morto, a doação não pode ser feita”, ressalta o professor.

Então, vale uma conversa prévia e cruzar os dedos para que sua família entenda seu propósito pós-vida.

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