17 de abril de 2026 17:53
CuiabáJudiciário

Justiça ouve idoso acusado de envenenar achocolatado e matar criança

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Camilla Zeni

O zelador Adônis José Negri, de 67 anos, acusado de ter envenenado um achocolatado e, por consequência, matado uma criança de apenas dois anos, deverá ser ouvido pela Justiça no dia 11 de junho, às 13 horas. A audiência foi marcada pelo juiz Jurandir Florêncio de Castilho Júnior, da 14ª Vara Criminal.

Na segunda-feira (18), o magistrado determinou que o idoso fosse intimado para depor sobre o caso e observou que sua defesa, patrocinada pelo advogado Raul Cláudio Brandão, poderá incluir testemunhas para serem ouvidas.

O caso envolvendo o idoso chocou a população de Cuiabá e chegou a ter repercussão nacional, quando, na época, a suspeita inicial era de contaminação no achocolatado Itambézinho, produzido pela marca Itambé, em Minas Gerais.

Criança passa mal

No dia 25 de agosto de 2016, um menino de dois anos, morador do bairro Parque Cuiabá, na Capital, ingeriu o achocolatado, que havia sido comprado por seu pai com um vendedor de rua. Segundo o homem contou à polícia, o produto custou R$ 10 e o pacote era composto por seis caixinhas.

No mesmo dia, a criança passou mal e precisou ser levada com urgência para a Políclinica do Coxipó. Na unidade médica, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu.

O caso foi investigado pela Polícia Civil, que chegou a intimar a empresa fabricante da bebida, a Itambé. Desde o início, a companhia se colocou à disposição e, posteriormente, comprovou-se que não havia irregularidades vindas da fábrica.

Vingança e envenenamento

No decorrer das investigações, a polícia descobriu o acontecido. O vendedor de quem o pai da criança comprou a bebida era Deuel de Rezende Soares, à época com 27 anos. Por sua vez, o rapaz era o autor de diversos furtos a comércios e casas do bairro.

Uma das vítimas de Deuel, Adônis José Negri, estava cansado de ter produtos furtados. Por isso, um dia, pegou uma seringa e injetou veneno para rato na caixa de achocolatado. O objetivo, segundo confessou a polícia, era encontrar o ladrão. No entanto, como o autor do furto não consumiu a bebida, mas a repassou, a vítima foi a criança.

O envenenamento da criança foi confirmado por meio de laudo toxicológico feito pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

À época, um primo do menino também ingeriu a bebida e precisou passar por lavagem estomacal.

Aguarda em liberdade

Depois que o caso foi solucionado, Adônis chegou a ser preso de forma preventiva e, após 30 dias, foi solto por determinação da Justiça. Depois, o Ministério Público do Estado (MPE) denunciou o idoso e, em junho de 2017, Adônis tornou-se réu.

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