Cidades

Criança indígena morre depois de receber alta do Hospital Regional de Colíder

Foto de Mayla Miranda
Mayla Miranda

Uma criança indígena de apenas um ano de idade morreu, em dezembro de 2018, após dar entrada no Hospital Regional de Colíder. Ela teria sido levada à instituição por pelo menos cinco vezes, mas, segundo familiares, não teria sido atendida de forma adequada.

A família então protocolou uma denúncia, nesta quinta-feira (31), na administração do hospital e no Ministério Público.

Uma cópia do documento foi enviada à reportagem do LIVRE.  Conforme a denúncia, a criança, identificada como Sên, não teria sido “olhada, nem atendida na instituição”.

“Sên era enviada ao Hospital em vão. Vocês não lhe olharam bem, vocês não lhe cuidaram bem. Sên Panará, cujo nome foi erroneamente registrado como Cem. Parece um erro superficial, este do registro, mas por trás desse erro de grafia esconde-se uma série de outros erros e descasos”, diz trecho do documento.

Na denúncia, a família indígena questiona a atitude que teria sido adotada pelo Hospital. “Por que então vocês lhes davam alta? Vocês não sentem nenhuma vergonha? Vocês não se envergonham ao nos olharem?”.

Uma testemunha do caso – que pediu para não ser identificada – relatou à reportagem que “casos como esse não são raros”.

“A criança por várias vezes chegava no Hospital, era avaliada e encaminhada à Casa do Índio, voltava à unidade, era internada hoje e, no dia seguinte, já recebia alta. Isso aconteceu por várias vezes. As pessoas ainda questionavam se o médico ia dar alta para a criança por conta das crises de falta de ar, mas, sempre davam alta. Se tivessem segurado e tratado, desde o início, talvez não tivéssemos chegado ao ponto de a criança morrer”, disse.

Ainda conforme a denúncia, outro possível caso de negligência médica teria ocorrido na unidade hospitalar há cerca de dez dias. Dessa vez, um bebê de cinco meses – da mesma aldeia – teria sido encaminhado pela pediatria da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para o Hospital.

No entanto, conforme a denúncia, mesmo com o encaminhamento da UPA o bebê teria ficado das 9h às 18h, sem atendimento. “Nenhum soro ou medicamento foi aplicado no bebê nesse período de espera. Ele chegou a desfalecer enquanto aguardava”, disse a testemunha que acompanhou os dois casos.

Em outro trecho da denúncia, a família em luto encaminha um recado direcionado ao diretor da unidade hospitalar. “Não sabemos se você tem filhos e netos, como nós temos, mas nós esperamos que caso você os tenha, eles não recebam, ao ficarem doentes, o atendimento que nossos filhos e netos recebem no hospital que o senhor [diretor da unidade] está dirigindo. Quando Sên morreu, nós permanecemos calados, chorando e jejuando por ela, pensando nela”, finaliza.

Protesto

Em 2017, um grupo com 80 indígenas da aldeia Kayapó, chegou a bloquear a MT-320, em Colíder. O protesto foi realizado depois da morte de dois índios no Hospital Regional de Colíder. Na ocasião, os indígenas colocaram pneus, pedaços de madeira e cartazes para o protesto e bloqueio da rodovia. Eles alegavam que o atendimento de saúde era precário, pois faltava médicos e equipamentos. Já os funcionários do Hospital, relataram que estavam em greve por falta de pagamento de salários.

O outro lado

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) afirma que, na tarde de quinta-feira (31), a diretoria do Hospital Regional de Colíder (HRC) estabeleceu franco e pacífico diálogo com a população indígena.

A SES-MT também alega que, desde o primeiro momento, a atual gestão do órgão está incessantemente empenhada na reabertura da UTI Neonatal da unidade hospitalar. Diante das circunstâncias, a Secretaria anuncia que estudará a transferência, com celeridade, dos pacientes indígenas e envida esforços para a solução na espera do tratamento intensivo.

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